A Fé do Povo de Angola


(início de citação)
De: Sónia Tereza Vieira (Oeiras, 10.06.2019)
o ópio do povo!...
Eu trabalhei durante alguns anos como representante residente de uma ONG alemã dependente do Concelho Mundial Ecuménico das Igrejas denominado Brott fúr die Welt (pão para o mundo) consistindo o meu trabalho no apoio institucional, finançeiro e técnico de projectos de impacto social junto de organizações da sociedade civil com destaque para as instituições religiosas.
Identificava igrejas e os projectos comunitários destas, ajudava na elaboração dos projectos em curso ou prespectivados segundo as normas da minha organização, submetia a financiamento e uma vez aprovados fazia o acompanhamento dos mesmos pela avaliação sistemática...na altura(1994/96) só na cidade de Luanda(para não falar nas demais províncias)tinha recenseadas 637 igrejas dos mais variados cultos(até animistas)...um verdadeiro negócio...até uma delas, assim que teve a notícia que iria receber o financiamento solicitado,após a chegada do mesmo desmembrou-se em três...grandes makas...claro que cortei o subsídio e como já tinham arrancado com a iniciativa, reuni com alguns fieis que estavam a implementar o projecto, criei um grupo de coordenação que geriu o projecto, mandando os pastores  às urtigas...isso nada me espanta...se já não acreditava nas igrejas passei a abomina-las...cambada de criminosos...são piores que os partidos políticos...pois alimentam-se da fé dos crentes que, em desespero, procuram na igreja o bálsamo para as suas almas atormentadas pela miséria (material ou espiritual)...CAMBADA!
- texto recebido via internet -
Fim de citação. 


Nota de Rodapé:  Os quase 11 anos que eu vivi em Angola me deram um conhecimento bastante profundo do POVO Angolano e dos seus usos e costumes que espero sejam passados aos seus descendentes. Atrevo-me inclusivamente a classificar esses anos vividos em Angola como os melhores quanto à minha fase criativa e literária, não tanto pelo facto de incluir neste período da minha vida  os tão apregoados “anos dourados da juventude” e mais pelo muito conhecimento adquirido e sobretudo pelas amizades que por lá ficaram ou se espalharam na sua maioria mundo afora.  Daí que, quando me perguntam a razão e o porquê desta minha classificação eu apenas resumo nisto; a minha vida era um “livro aberto” com as folhas soltas ao vento!, mas... de repente surgiu um vendaval, um autêntico furacão chamado “descolonização”!  
Tenho recebido aqui inúmeras cartas as quais eu guardo com carinho e muita nostalgia, sobretudo uma incomensurável saudade que dói, dói... e não adianta esquecer!
O texto acima me trouxe esta saudade. Obrigado Amiga Sónia Teresa Vieira e não se deprima amiga. Se lembre do pensamento maior do Poeta Fernando Pessoa que, ainda criança, também passou por Angola… “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”!  
Com certeza o seu trabalho mereceu a pena sim. Valeu a pena apesar da “CAMBADA DE BANDIDOS, BANQUEIROS, TRAIDORES, POLÍTICOS CORRUPTOS” que imperam não só em Angola,  mas em muitos outros países, mesmo naqueles que escondem o lado ruim da sociedade em que vivemos. Pessoalmente eu agradeço pela sua carta em abono do POVO ANGOLANO. E me despeço com um velhor provérbio Indio: a Fé pela qual eu me ajoelho é a mesma que me ajuda a levantar.
E depois destes quase 11 anos que eu vivi em Angola, eu comecei a publicar as minhas memórias que eu compartilho aqui com Amigos Novos através das "cartas literárias" que me chegam e já reunidas em livro que será publicado em breve. Acontece que infelizmente as muitas "cartas e aerogramas" daquela época se perderam na poeira do tempo e do vendaval que se abateu sobre os povos do ultramar tão vergonhosamente vendido pelos Traidores do 25 de Abril MENTIRAS MIL. Vale lembrar que houve traidores de ambos os lados da negociação, mas escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores tristes de um passado já distante!   

Fica com Deus!!!
Silvino Dos Santos Potêncio
Emigrante Transmontano em Natal/Brasil
Ex Residente em Angola.

Uma Ode a Fernando Pessoa!






Fernando António Nogueira Pessoa (Nasceu em Lisboa, 13 de junho de 1888 — Faleceu em Lisboa, 30 de novembro de 1935) foi um poeta, filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português. 
Numa das minhas efêmeras passagens pelo Bairro Alto eu passei em frente à Brasileira aonde o poeta me convidou (em mente) para sentar, e eu aceitei. Mais tarde eu lhe dediquei este meu poema inspirado pela B.I.C.A. que ele inventou. 

Pois ele costumava dizer para o empregado recomendar ao servir o Café Beba Isto Com Açucar! 

Eu fui conversar com o Poeta em Pessoa!...

Eu fui conversar com o Poeta,
Que me recebeu já sentado.
Pedimos uma "bica curta"
E lá me sentei ao seu lado
... Falámos de tudo um pouco
Ali na Calçada do Chiado!
Foi ele que me convidou
E pelo muito que me escutou...
Saí de lá inspirado a subir ao Bairro Alto.
Com o coração na boca,
Subi bem devagarinho...
Porque os anos já me pesam de mansinho,
Cantei o fado baixinho,
Como ele talvez o tenha feito
Ao gravar esta saudade no peito
De quem ama a poesia,
O sonho de sentir alegria
E o desejo de viver na Lusofonia.
Depois da conversa acabada,
A Alma ficou mais lavada,
E eu desci pela calçada...
A pensar com os meus botões,
O Mestre não disse nada...
Só me mostrou reflexões
Das cores do nosso sentir!...
Do tempo que ainda há-de vir
Do passado que já se foi,
Do presente que agora doi...
Do Futuro que já nos corroi!
As forças deste térreo viver
Em espírito imaginário...
Deste meu entardecer.

(in: "POESIAS SOLTAS " De: Silvino Potêncio)


Na comemoração dos 120 anos do nascimento do Poeta, eu recebi aqui uma carta que guardo até sempre, que me foi enviada por um outro Poeta que eu muito estimei em vida, o Meu Saudoso Amigo Vasco dos Santos, Escritor, Poeta, Advogado, Editor, Crítico Literário nascido em Alcafozes no Concelho da Idanha-a-Nova - Beira Baixa, mas que passou a maior parte da sua vida no Brasil.

Sobre Pessoa ele escrevia assim:

Ode aos 120 anos do Poeta

O Poeta Fernando

Guardo um pesar profundo, por esse homem ser considerado, o maior poeta do mundo.
Imagino-o, de menino, demarcando pegadas, do seu destino.
Ora, Fernando, desde quando algum português deixou a Pátria chorando, não esperando voltar outra vez?
Tivestes sorte. Outros te antecederam, partiram mas não voltaram e o sonho e a aventura com que sonharam, terminou na morte e na rasa sepultura.
Quando se perdeu o sol, o rumo, o horizonte, não sobrou quem conte
o que ali aconteceu!
Deves ter feito a mesma leitura do Velho do Restelo, estarrecido e escondido nas areias do Tejo ao ler na Escritura o terrível  libelo do sonho e da aventura!
Sei que isso é coisa do passado, de Netuno e seu feitiço, amarrado no fundo do mar  e do gigante Adamastor no oceano profundo, envergonhado com o poder ousado dos descobridores do mundo.
E o poeta-menino, já tracejava o seu destino, adernando à costa africana,  “ passando além da Taprobana”.

Ó mar aberto do sonho desperto! Lisboa tão longe, Portugal tão perto!
Encerrando um ciclo do seu destino, começou voltando pelo mesmo caminho.
 - Até imagino! Lisboa desperta, clara, aberta, habituada à partida e à chegada de tanta gente perdida, de tanta gente embarcada pra sempre, pra toda a vida, por causa de tudo, por causa de nada!

Quantos regressos de sucessos de insucessos mal sucedidos?
- Pra tantos,  tudo... para quantos, nada.
Mas, Lisboa, segura e certa de que o poeta carregava um baú  que sinalizava a Mensagem que trazia pra revelar, deixou a porta aberta e mandou-o entrar.
Mal desce no cais, escancara-se o Terreiro do Paço e depara-se com o cavaleiro de aço do rei que já o foi e não é mais, embora sustente no braço as rédeas do seu cavalo de aço dum rei que só é rei por ser rei do Terreiro do Paço. 
Segue em frente a olhar toda a gente que vê e examina e, porque sente ser discriminado, deixa cavalo e cavaleiro de lado e entretém-se a olhar a cidade Pombalina que à sua frente descortina.
Entra no café, senta-se à mesa, saca do papel e da caneta, escreve a granel, a tinta preta, mas, escreve...
Toma café  e bagaceira, na Brasileira  do Chiado e, sentado na mesma cadeira ou ao mesmo balcão encostado, bebe.
Poeta verdadeiro exala cheiro de poesia e se entrega, divide, se parte e reparte e se acrescenta e o grupo torna-se maior e se aumenta e, quando a poesia acontece, sempre a alma sedenta  de poesia, ao seu redor, aparece!...
Foi eleito o primeiro cavaleiro da távola redonda da mesa do café.
À semelhança, dos cavaleiros... sob a liderança de José de Arimateia, que encucaram na cabeça a idéia de que aquele vaso guardava gotas do sangue de Cristo,  o mesmo ele fazia.
 E não era nada disto. O poeta tinha fé na poesia que fazia.
Na bagaceira que bebia na Brasileira, no Martinho onde o poema fluía.
E sempre lá ia, repartido,  dividido em cada nome diferente que escolhia, olhando-se a si mesmo, vendo-se em toda a gente, quando escrevia,  sorvendo o café, intercalando aguardente.
E como toda a bobagem  é pouca, teve a idéia louca e publicou “ “Mensagem”, livro único e derradeiro que a vida lhe deu de tanto que escreveu na sua longa viagem!
Só. Absolutamente só.
Como o outro, o primeiro, cantado por gerações, “ entre rimas de trovões” ( refiro-me a Camões), morreu pobre como Jô.
Nem escravo teve para acompanha-lo ao cemitério dos Prazeres!
Que ironia do destino! parece sarcasmo divino o nome emprestado a esse campo santo!
A sua trajetória acabou na cama merencória dum hospital.
Não faz mal. Afinal, tem estrela no céu  que já morreu mas a sua vida não se encerra e continua iluminando a terra.
Completando a ignomínia, um editor tagarela caiu na esparrela de abrir a boca,  falando: -´Fernando, que pena, não ser teu contemporâneo! eu te descobriria e editaria.
Como se os editores, em todos os tempos e eras, não fossem coveiros de tantos sonhos e quimeras!
Mas, o poeta, que o escutou, deixou a porta do túmulo aberta,  se levantou e, sarcástico, numa risada cadavérica, lembrando Soares dos Passos, abriu os olhos e soltou os braços, trocou a sentença apensa à sua mensagem:
-Nada vale a pena se a alma é pequena. E pediu licença pra voltar ao túmulo.
Fico imaginando  nosso último encontro, caminhando pelas ruas da Baixa Pombalina, num friorento inverno, corpo franzino, transido de frio.
-Onde vais, Fernando? -Vou pro rio.
O Tejo anda vazio, não há caravelas,  nem navio, e vou continuando a poesia,  a mensagem na mesma linguagem que inventei um dia e ainda não terminei.
E, com a alma serena, tudo o que previu, redisse: “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”.
Adeus! - disse e se despediu…

S.Paulo, 27 de Junho- 2008
Vasco dos Santos

O Assalto à Língua Portuguesa!






Assalto à Lingua Portuguesa!...

O jornal ABC do Amigo Jornalista Raul Mesquita do Canadá, publicado no dia 25 de Maio ultimo,  traz um comentário que interessa a todos os falantes e usuários da Lingua de todos nós.
Neste comentário, que eu transcrevo aqui em parte pela actualidade do dia de amanhã – 10 DE JUNHO – Dia de Portugal – Dia da Raça Lusitana – Dia de Luis Vaz de Camões, o Maior Escritor de Lingua Portuguesa de todos os tempos e por isso mesmo DIA DA LINGUA PORTUGUESA.
Diz-nos o Senhor Fernando Santos Pessoa de Faro, que o Dia 05 de Maio homolado recentemente pela ONU, como sendo o Dia da Lingua Portuguesa não tem base jurídica e muito menos não tem base intelectual que lhe possa sustentar tal comemoração e porquê?
(início de citação)
… O dia 5 de Maio, foi o dia mundial da lingua portuguesa, que infelizzmente tem sido abastardada com o maléfico  AO (ANUNCIO OFICIAL)  que dizem estar em vigor, embora haja juristas, e não só, que dizem não estar!!!
Espanta-me – ou talvez não! – o desplante com que se modifica a nossa lingua por decreto, elaborado por uns pseudo-iluminados. O AO não serve para nada e é mais uma triste imagem da parolice nacional. Já alguém viu a Grã Bretanha, a França ou a Espanha a fazerem patetices destas com o Inglês, o Francês ou o Castelhano???...
(fim de citação)
Vamos voltar um pouco no tempo!... Logo no primeiro Mandato do Ex Presidiário, Ex Presidente do Brasil,  em 2003 ele recebeu a Comenda da Universidade de Coimbra de Doutor Honoris Causa, que Nunca lhe foi retirada, nem mesmo depois de ele declarar em Público repetidas vezes que era semi-analfabeto!
- Mais ainda na sua ideologia cultural ele se auto entitulou o dono da Lingua Portuguesa porque como era Presidente do Brasil, um País com mais de 210 milhões da falantes da Lingua de Camões, ele merecia ser o dono da Lingua!
Como diria o meu saudoso Amigo Escritor Vasco dos Santos, autor de mais de 24 títulos Editados em São Paulo sempre em lingua Portuguesa,  absolutamente erudita com um alto conhecimento do POVO E DA ALMA de Portugal D’Aquem e D’Além Mar em África, Ásia América e Oceania… “oh santa inguinorança a deste Doutor Honório das Causas impussívis”! – O Brasil é atrasado por culpa dos Portugueses!
Mas voltemos ao verdadeiro assalto à cultura Lusitana homologada pelos Doutos Magníficos Reitores da Universidade de Coimbra, e por juris consult post mortem pelo nosso Rei Poeta Dom Dinis.
Ao voltar para Brasilia com o Título de Doutor Honoris Causa, ele se apressou a Publicar no Diário Oficial da Répública do Brasil por Decreto Presidencial o Dia 05 de Maio como sendo o DIA DA LINGUA PORTUGUESA do Brasil.
A Universidade de Coimbra foi Em 22 de junho de 2013 declarada Património Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura pela UNESCO… e aqui chegamos ao covil dos assaltantes que ainda andam por aí à solta.
Como a UNESCO tem a sua Sede operacional em Paris, foi lá que começou o plano para roubar o DIA DA LINGUA de 10 de Junho para o dia 05 de Maio.
Seria por demais entediante aos analistas do assunto, contestar na UNESCO algo que a ONU já homologou com o beneplácito do actual Secretário que, para mal dos nossos pecados é também Português (eu acho que é!?) e senta ao lado dos Intelectuais Globais, principamente dos Países (PALOP) de Lingua Oficial Portuguesa, que simplesmente disseram “Amém” para uma iditotice destas!...
Só para lembrar;  a Universidade de Coimbra é a Segunda mais Antiga da Europa, fundada por Dom Dinis,  a sua história remonta ao século seguinte ao da fundação da Nação Portuguesa, dado que foi criada a 01 de Março de 1290, quando o rei D. Dinis I  assinou na cidade de Leiria o documento “Scientiae thesaurus mirabilis” criando assim a universidade, o qual foi intermediado e confirmado pelo Papa.
Fixada definitivamente na cidade de Coimbra em 1537, sete anos depois, todas as suas faculdades se instalam no antigo Paço Real da Alcáçova (denominado Paço das Escolas, após a sua aquisição pela Universidade de Coimbra em 1597).
Vale lembrar que (acredita-se) Luis Vaz de Camões terá nascido também em Leiria em data incerta aproximadamente 1524...
Não há certeza absoluta quanto ao ano da morte do poeta. D. Gonçalo Coutinho em 1594 pôs-lhe na sepultura da Igreja de Santa Ana uma lousa com a seguinte inscrição: «Aqui jaz Luiz de Camões, príncipe dos poetas do seu tempo, morreu no ano de 1579, esta campa lhe mandou pôr D. Gonçalo Coutinho, na qual se não enterrará ninguém». O documento relativo à tença de Camões (Livro III das Emendas, fl. 137 v., Torre do Tombo), reclamada a título de sobrevivência pela mãe dele, Ana de Sá, refere que o poeta teria morrido em 10 de Junho de 1580... Em qualquer dos casos, se 10 de Junho se refere ao calendário juliano então em vigor, no calendário gregoriano atual corresponde a 20 de junho, dia em que se deveria celebrar o aniversário da morte do poeta e não o 10 de Junho... (Mário Saa, As Memórias Astrológicas de Camões, Empresa Nacional de Publicidade, Lisboa, 1940, pgs. 313-317)
Por isso eu tenho esta frase emoldurada: honremos os mortos, porque os vivos o mereçam!  Portugal é Eterno e nunca se diga Adeus para sempre!
Silvino Dos Santos Potêncio
Emigrante Transmontano em Natal/Brasil desde 1979.





Honremos os mortos, porque os vivos não merecem!


Tenho este meu poema na minha página literária na forma de “acróstico” com o título Disponibilidade - Poema do Fim!  
"Acróstico" é um tipo de texto em prosa ou verso, cujo parágrafo começa sempre por alguma letra do título ou relacionado com o nome que enforma o respectivo tema. Nos últimos meses do meu tempo de Serviço Militar, todos nós só pensávamos na passagem à "disponibilidade"  e esta era a palavra que não me saía do pensamento e por isso eu a incluí neste meu primeiro livro de "POEMAS DE ANGOLA"!... Oportunamente, e por sugestão de alguns camaradas daquela época, eu encaminhei um original deste poema para publicação no Jornal do Exército que,  todavia foi recusado! (creio eu que o Director  de então interpretou isto técnicamente não publicável) Todavia, como já estava no roteiro do meu livro, ao relembrar esses anos, me sinto confortado em ler estas recordações!


Durante longos 42 meses eu vesti a Farda do Exército Português e assim cumpri o meu dever de cidadão. Ao longo desse tempo eu escrevi centenas de Cartas (aerogramas) dos quais eu não guardei um só!... não que eu não os quisésse juntar todos às minhas memórias mas sim pela tempestade que se abateu sobre a minha vida e a de muitos milhôes de Portugueses com o advento da "garraiada" - uma autêntica largada de toiros vermelhos em plenas ruas da Capital do Reyno, com uma ideologia fantasiosa que fez desaparecer tudo isso na poeira do tempo e do abandono forçado de tudo quanto lá ficou. Gentes e coisas... Amigos muitos que conheci e já se foram...  e inimigos se é que eu os tinha, nunca o soube ao certo!.
​Já no final da minha missão a palavra que mais se dizia e com a qual todos sonhávamos era "DISPONIBILIDADE" ou seja; entregava-se a farda mas ficava-se em situação de "DISPONIBILIDADE" caso a Pátria precisasse de nos convocar novamente.
A Minha Caderneta Militar reza que; após cumprido o tempo de serviço Militar Obrigatório, o Estado fornecia transporte de graça para qualquer parte do Território Nacional mediante requerimento do interessado.
Com base neste disposto eu entrei no Quartel em Angola - Nova Lisboa (hoje cidade do Huambo) e entreguei a Farda em Lisboa no Terreiro do Paço!!!... iii já lá vão tantos anos.
Para não me esquecer, eu escrevi um poema que faz parte do meu Livro de POEMAS DE ANGOLA - "Eu, o Pensamento, a Rima!..."  porém ele foi rejeitado pelo Jornal do Exército naquela época... e NUNCA mais o publiquei. 
Hoje olho e vejo o que vai por esse Portugal profundo e tristemente constato que nada mudou!...
Afinal Camões tinha Razão!... nós poetas morremos com o sonho de cada novo dia! ... e por isso aqui estou em DISPONIBILIDADE até quando Deus quisér: 


D.I.S.P.O.N.I.B.I.L.I.D.A.D.E. 
<<...Poema do Fim!... >> (022)
Dissabores,
Infelicidades,
Sofrimentos,
Privações,
Ordens dadas...(?)
Novidades,
Inimigos aos Milhões! ...
Batalhas,
Infiltrações,
Lutas breves,
Invalidez,
Dores de Amor!...
Amargura,
Despedida é calor,
Em minha vida futura!!!...
(in: "Eu, O Pensamento, a Rima!..." Pagina 98)  



Placa Comemorativa em Homenagem aos Soldados Portugueses ao Serviço de Portugal - A Relação encontra-se gravada no "Muro" que serve de fundo ao Monumento erguido em Belém.
Honremos os mortos porque os vivos o não merecem. Que Deus os tenha na SUA SANTA PAZ ETERNA! 


A Dor de um Retornado!...





A Dor de Um Retornado...

...Uma lágrima de dor,
Um suspiro de pouco amor,
- Uma nuvem ao sol-pôr,
- num oceano vermelho-rubro, de estertor!...
Um sentimento de puro abandono,
Qual andorinha no sono,
Desta primavera já sem dono,
- Sem inverno, sem verão e sem outono.
...Uma lágrima de dor e de saudade,
Um soluço não contido por maldade,
- Desta vã caminhada em tenra idade,
- Na esperança de um última vontade...
Se me escapa já por muito desalinho,
Da postura inconformada sem carinho,
- Da minha alma que se vai devagarinho.
- Contra o vento da quebrada do caminho!
Uma lágrima no rosto que padece,
Qual folha solta desta cepa que envelhece...
- Feito tronco de castanho que anoitece,
- Na ramada tão sem flor, que o frio nela desce.
...Um lágrima de dor!...
Desta primavera já sem cor,
Um soluço não contido ao sol-pôr,
- Uma lembrança tão distante desse amor!...
  - Da minha alma, ela se afasta num vapor.
Essa dor...essa lágrima, essa flor...
Por lá ficou adormecida,
Não desceu pelo meu rosto já nublado,
Desta dor de ter saudade à despedida...
Que já pressinto estar aqui, ... bem a meu lado.
Uma dor...
Uma nuvem...
Uma lágrima,
- no oceano deste amor tão mal-tratado!
Mais um sonho que se apaga amortalhado.

Autor: Silvino Potencio (in: "Poesias Soltas")
Lisboa:  Out/1979

As Guerras Antoninas Lusitanas!...






As Guerras Antoninas Luz & Tanas!...

Extraído do meu Blog "os gambuzinos" deixo-vos aqui um texto da minha Autoria relacionado com a História, a Literatura e a Emigração Lusitana dos últimos anos do Século XX, sobretudo com o tema da Descolonização Vergonhosa levada a efeito pelos "Abutres" políticos que se abateram sobre o Patrimônio Pàtrio angariado em mais de 900 anos de história desde o Condado Portucalense!


<"O maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam por ela.">( Arnold Toynbee)

De: Silvino Potêncio,... ® Os Gambuzinos (278)

>> As Guerras “Antoninas Luz & Tanas”

“...Nos tempos das fidalguias,
Das nossas Forças Armadas,
Em muito quartel existia,
Dois de Paus... e Reis de Espadas!...”

Talvez por condão ou mera coincidência, a especialidade que nos foi atribuída, ao terminarmos o nosso tempo de “recrutamento e treino” na Escola de Aplicação Militar de Angola, foi a de “escriba amanuense” cujo símbolo é uma “Pena e uma Espada”.
Passaram-se os tempos, mudaram-se as vontades, perdeu-se o viço, gastou-se a pujança... mas ficou-nos o arquivo da massa cinzenta onde, pelo próprio nome, alegóricamente, tudo acaba em cinzas. - Tudo não passa de quimeras soltas ao vento da liberdade, que cada um conquista ao longo dos anos... A escrita, seja qual for o estilo adoptado, tem mil uma nuances de fantasia, de imaginativas situações que são expressas, mostradas ao público, de acordo com o divagar (uns vão di vagar outros vão mais di pressa!!!)... dos pensamentos do seu criador. Daquele que lhes dá vida e acende o interruptor para dar à luz mais um rebento, que... a bom pensar tanto pode ser um aborto da natureza como pode ser uma “Best seller” e por falar em “bestas”, queremos deixar aqui este nosso registro sobre dois nomes tipicamente Luz & Tanos, ou sejam; aqueles nomes que dão luz!
Nomes que quando dão à luz, na verdade iluminam a quem os cerca porém... entre eles há os que ao darem à luz, provocam uma grande escuridão! É um apagão tão grande que às vezes leva anos... muitos anos, para se fazer luz de novo!...

- Olha... Fernandinho, já estás na idade de ir p’ró seminário!...
Aatão prepara-te lá, e arruma a trouxa... c’amanhã vais p’ra Cuimbra.
- Não mãe, eu não quero ir!!!... (respondia-lhe o “puto”).
Lá em Cuimbra só tem “doutores” e eu não gosto daquilo.
Não adianta reclamares... já está decidido!... tens que ter um canudo, e se não podemos pagar o colégio, então aceitamos uma ajuda do Sá Cristão, que é Amigo do Padre da Igreja da Graça e prontos... tens que ir!... está dito!
E assim o Fernando que também era Bulhões... foi para “Cuimbra” e lá se formou em Direito, duplamente qualificado. Dizemos duplamente porque ele estudava advocacia, a arte de bem mentir ao falar a verdade, e estudava tudo tão direito, que o Papa ao saber das habilidades do "ganapo", lá o mandou emigrar para Itália, onde se hospedou eternamente na cidade de Pádua.
Este emigrante Português de nascimento, ao aceitar o convite do Santo Papa exigiu e ganhou a primeira guerra dele... só vou emigrar, se me mudar de nome!... dizia ele na bula que mandou ao Vá ticano.
- E este lhe atribuiu-lhe logo não só o nome, como até lhe deu uma Comenda, a de Santo António!!!... e como ele morava em Pádua, ficou a guerra que dura até hoje...: quando estamos em Itália, rezamos ao Santo António dos Italianos, e quando visitamos Portugal, rezamos ao Santo António de Lisboa. – Só para lembrar aos leitores, esta guerra começou em 1.195, portanto Portugal ainda tinha Rei de Espadas, o Ti Dom Afonso Henriques, que também gostava muito de viajar e migrar para a terra das Uvas Mouriscas.

Anos mais tarde, ali pelas bandas de Santa Comba Dão... (tudo de Graça) o rapazote, terminou a instrução primária, que era de primeira mas só acabava na quarta classe!... A Mãe do dito cujo, foi à horta e chamou o rebento com bons modos como toda a Mãe sabe fazer;
- Olha... Toninho!... vem cá!
- Meu filho... limpa as “botas” – ele andava sempre de botas para ir buscar os tomates, e outras hortaliças porque naquele tempo ele acreditava que a alimentação orgânica era a melhor! - Tanto é que, anos mais tarde ele implantou no Estado Novo a tal República Orgânica (de organizada) e Política da Ná São...mas voltemos ao início do começo desta guerra orgânica.
Oh Mãe vou limpar as botas p’ra quê?!... daqui a pouco tenho que lá voltar à terra p’ra regar os grabanços... aatão depois tenho que as limpar de nobo!?...
- voismecê não sabe economizar, Mãe... temos que poupar água!...
- Olhe que no futuro, ela ainda vai faltar... bai a ber!!!
Não é nada disso “botas” ... quero dizer, meu Filho Toninho!!!...
Eu quero que tu vás p’ra Cuimbra... p’ro Seminário... está bem?
- Não Xeñora... não quero ir a estudar p’ra Padre... eu quero é plantar tumátes!
Um dia havemos de ser os maiores produtores de tomates do mundo Luz & Tano (*) e se eu for p’ro seminário lá não tem tomates... além disso andam todos de sandálias, e eu quero andar de “botas”...
Não Senhor!!!... tens que ir p’ra Cuimbra e se não quiseres estudar Direito, então escolhe outro curso... nem que seja torto, mas tens que estudar... já te disse, e prontos!
- Mas... oh Mãéééeee... veja bem; é que lá em Cuimbra só tem “doutores” e eu não gosto de ensinar a quem sabe mais do que eu!... Eu quero é aprender a arte de falar bem aquilo que os outros falam mal de mim, carago!
Não adianta reclamares!... sabemos que aqui na terra não se passa da cepa torta... e tu tens tudo para a endireitar!
Vai lá... vai lá, limpa as “botas” e arruma aquela ardósia nova que te comprei em Vá Longo... leva também aquele lápis de pedra preta... melhor... leva dois ou três lápis de pedras coloridas que se acham no fundo do ribeiro. São prácticos e são baratos!
Ah ... bem!... se é p’ra estudar Economia em vez de “Padraria” (era a arte de estudar p’ra padre) então eu vou!
E assim o Ti António De Oliveira Salazar, um bom Santo Homem para todos os Portugueses – foi até Professor, Doutor, Presidente do Conselho e de todos os Concelhos, de todos os Ministros... todos!... ele foi o mais “MAIOR” guerreiro que já se teve noticia! – Dizem até que ele anda agora a meter uma Cunha lá em cima, no Vá Ticano que é p’ra ser Cano Nizado, ou seja um Santo Antonio de Santa Comba Dão... tudo de graça. (sim porque meter a Cunha lá em baixo no fundo do Inferno já está LÁ o Cunhal...)
Esta guerra ainda não acabou! – Por isso vos contaremos o resto depois dela acabar...

Em Abril de 1910 lá pelas berças de Estremoz, já quase na Raia de España, nascia um rebento que, pelo seu nome de António, e também pela sua índole, viria, anos mais tarde, a rebentar com a República.
Aos quatro anos de idade já brincava de “soldadinhos de chumbo” e por ideologia, enquanto comia umas alcagoitas torradas no calor do Além Tejo, ele copiava dos “canhões” Alemães que assoberbavam o mundo Europeu a ponto de deflagrar a Primeira Guerra Mundial onde, como todos sabem o maior Guerreiro foi o nosso conterrâneo Ti Milhões, de quem já vos falei aqui algumas vezes, e assim o Toninho, Alentejano de Estremoz, ele se tornou um Germanófilo ferrenho (é aquele soldado feito a ferro e fogo, mesmo sendo apenas de chumbo).
Foi mandado p’ra Lisboa para estudar no colégio dos Meninos da Luz e por isso cremos que ele poderia vir a ser mais um António Guerreiro Luz & Tano... e foi!
- Quando atingiu a graduação de General, foi mandado em missão ao Ultramar, aonde ele começou a escrever um Livro cujo lançamento ainda está em formação!... Portugal que Futuro??? – nós diríamos ... só Deus sabe!!!
- E então eis-nos chegados ao quartel do CABEÇO DE BOLA ...
... voismecê Xô General me desculpe mas não concordo que esta guerra se ganhe na Política. – dizia o home do poleiro...
A guerra tem que se ganhar no campo de batalha... como o fizeram sempre os nossos guerrilheiros home de Deus! – respondia-lhe o ajudante de Campo!
- Ná senhôri... cumpádi...
- ê cá na concordo!... nim cum voismecê!...NIM C’UELE... até purquê ê inté já estive lá a comandar a tropa... ê cá sei muito bem c’a guerra é daqui do Gabinete, carago!
Olhe!... vá lá em Sã Bento e digue-lhe ó home das “botas”, que nós na cremos mais nessa conversa de ir p’ra Angola em Força, home!...
Os anos foram se passando e esta guerra continuou; de um lado o Alentejano António dizia que a guerra era em Lisboa... e o Ti António de Santa Comba Dão, insistia que a guerra era no Ultramar.
Guerra vai,... guerra vem!!!... e eis que, chega agora um outro “António” que, ao vestir a pele de LOBO,... ele que, sendo Médico Psiquiatra (entenda-se: é aquele médico que tem por especialidade a ciência da maluquice) como não tinha mais nada para escrever a favor da guerra dos outros “Antónios” ele, acabou de publicar um novo livro ao qual não deu o nome porque se trata de um “LIVRO DE FIQUE SÃO”!!!...
Oh Ti Antunes!... essa não lembraria nem ao Diabo que o carregue lá p’ro quinto dos infernos!... dizer que matou a soldo da sua vontade de ir passear na Ponta da Ilha ou passar um fim de semana na Ilha do Mussulo?!
Coitados dos vindouros quando lerem todas essas barbaridades a seu respeito, home de Deus!!!...
Olhe... aceite o nosso conselho.
Faça auto-hemoterapia, faça auto-análise, faça-nos a todos EX COMBATENTES... um grande favor!
Recolha-se aos seus aposentos no “Júlio de Matos”... e só saia de lá quando os burros perderem as penas! De preferência no dia de São Nunca...à tarde, pela hora das Ave-Marias. – Talvez nessa hora alguém declare que a guerra acabou!
(*) Portugal é atualmente o 5° maior produtor de Tomates com 3% da produção mundial de tomates e derivados. (à data da primeira divulgação desta crônica)
- Silvino Potencio - Emigrante Transmontano.
- O Home de Caravelas - Mirandela – Ex Combatente – Ex Retornado – Ex Patriado do Principado da Pontinha – Ex Pulso do IARN Algarvio.
original publicado em http://www
.joaquimevonio.com/espaco/silvino_potencio/silvino.htm

Nota de Rodapé: Esta minha Crônica me foi sugerida aqui a partilha com os Leitores da Página do RL e também no meu FB,  pelo comentário recebido hoje do Excelso Amigo, Historiador Militar Coronel Manuel Bernardo, a quem muito admiro não só pela sua Excelente Obra Literária, mas sobretudo pela forma correcta com que relata aos Portugueses, o que realmente foi a "Guerra do Ultramar" que os Politicos insistem em chamar de "Guerra Colonial" e se esquecem dos milhares de Civis mortos pelo Terrorismo e sobretudo o DESRESPEITO POR TODOS AQUELES QUE VESTIRAM A FARDA AO SERVIÇO DA PÁTRIA. 
(Início de Citação):

 Na minha opinião as mentiras foram implementadas logo no 26 de Abril, já com o PC na jogada, por ser então o partido da oposição mais bem montado em Portugal. Até ao 25 ABR eles andavam a "cheirar" mas não estavam na jogada. Para mim a ruptura com o regime foi provocada pela teimosia e inabilidade de Marcello Caetano, ao querer manter a guerra do Ultramar, como até aí, e com a extensão "Do Minho a Timor" e sabendo-se que aqueles tipos de guerra apenas acabam com negociações entre os adversários, como foi o caso da Argélia e do Vietnan.
O Porfessor Marcelo Em 1972 perdeu a oportunidade de o fazer, por não ter aceite o então General António de Spínola para a Presidência da República e não avançar, nesse ano, com o início das negociações através do Presidente Leopold Senghor do Senegal e da OUA, que lhe foram propostas.
(Fim de citação) 

Assim se fala, assim eu escrevo



Em homenagem póstuma à Saudosa Amiga Maria Fernanda Pinto eu vos trago aqui um texto em resposta a uma das últimas Cartas que ela me escreveu lá de Paris. 

A Arte de “Escrebere” em linguagem Emigrante.

Hoje eu não tenho intenção de fazer crónica alguma aqui no blog porque,  há uma subtil diferença entre pensar em voz alta, e o pensar em voz escrita! E muito menos em pensar em vos mandar qualquer coisa digitada na linguagem moderna onde,  só quem é formado em HTML, (leia-se: Hoje Tenho Muita Lanzeira) na arte de "escrebere" pode entender algumas semânticas do meu dicionário do emigrantado que está cada vez mais globalizado.

Gostaria, no entanto, de ressaltar aqui uns nomes de alguns dos meus leitores que me são muito queridos (as) - entenda-se que este "parentisis" aqui, é para destacar os leitores das leitoras menos avisados -  e começo por ler as palavras do "mestre" Amigo Escritor José Verdasca que altruísticamente nos brindou com o seu conhecimento e nos escreve aqui umas palavras muito bonitas - uns verdadeiros palavrões de sete e quinhentos!
Tais palavrões são do tipo em que a raiz do saber literário ainda andava de fraldas (naquele tempo eram conhecidas por "cueiros" lá pelos arrabaldes da Mesopotâmia, da Caldeia,  e do Monte Aaral em busca do azimute para chegar às minhas terras altas de Caravelas de Mirandela, para ali semear o que resta do "Mirandês"! 

Sou mais ou menos responsável pela volta às páginas deste meu Blog ( de vez em quando) da  Dileta Amiga Maria Fernanda Pinto que, no intervalo dos seus afazeres lá pelas bandas da cidade-luz, ela nos presenteia também com os seus belíssimos artigos culturais franco-lusitanos, onde se destaca a sua benevolência para as coisas da "xuxiedade" xuxialista neo-clássica pós edição do meu Código Dá VintchCinco de Abriu-looooooo!
Pois que, como sabemos ela é um autêntico colírio para estes olhos marejados de lágrimas ao olharmos "tanto mar" que nos separa do paraíso ibérico galaico-duriense que eu já estou de pescoço duro, só de olhar sempre naquela direcção:
 > Tu,...ó correio da 'nha terra,
>  leva esta carta p'ra mim.
>  Diz lá aos que andam na guerra,
>>>  que a bida ná é bem axim!... 

Ela é bem mais cumplicada,
... c'a gente nem s'apercebe
A cultura da abrilada...
nem se aprende, nem se recebe!!!

>>> Ela s'impõe peis aatão
Porque os impostos são deles,
Os adoradores de "platão".

...Estão cobertos de ouro e peles,
E benvestidos de tantos sorrisos,
c'a gente só escuta esses seus guizos!!!

Ah...Se eu fosse "zarolho" como era o mestre dos mestres emigrantes, o Luis Vais de Camiões!, isto seria um arremedo de soneto mas, voltemos ao rêgo!

Temos visto os "escritos" de quase todos os que por aqui passam. Eu não menciono nomes para não me tornar omisso todavia não posso esquecer o sempre sagrado sermão do Ti Antonio Justo lá da Alemanha. E por falar em sermões; olhe,...eu estou desconfiado que voismecê tem o email do Ti António de Bulhões, aquele que nasceu em Lisboa, mas ficou famoso quando Emigrou para Itália e os Italianos insistem em lhe chamar de Santo António de Pádua. Voismecê  não tem o email dele não!!??? Voismecê escrebe tão bem, home de Deus!  e é por isso que eu digo,  seria impossível citar todos individualmente,  mas... cabe-me aqui ainda uma nova reparação à guisa de explanação complementar que é a minha forma de escrever (ou "escrebere" como soe dizer-se nas minhas origens latinas, ainda segundo o sermão do mestre supra citado)  as minhas palavras e os meus palavrões, as crónicas e os sermões, as réplicas, as tréplicas e outras explicações,  para quem as pede ou as exige, sem nem mesmo assim fazer tal manifestação, são estas!  

Quando faço uma crónica temática tenho por hábito buscar uma citação vulgarmente conhecida para tecer as minhas considerações e, em seguida, lhes imprimir o contexto do meu pensamento ali intrínseco (que é como quem diz, tal pensamento  está incrustrado mais profundamente na nossa mentalidade emigrante, do que os arabescos que os mouros deixaram gravados lá nas fragas da minha Aldeia. 
   Portanto, depois de eu iniciar tais citações e, a esta altura do campeonato,  já são mais de meio milhão de escritos publicados sem jamais ter repetido qualquer desses pensamentos! é quando divago pelo sonho de fazer o tempo se renovar a cada nova era do amanhã ser bem mais e melhor do que hoje!

Infelizmente temos governantes que adormeceram em 24 de Abriu-looooooo! Para sempre e outros que continuam com medo de "amanha cerem" c'mós  gajos da P.I.D.E. (leia-se: a P.I.D.E... Portal Informativo Do Emigrantado) à porta de casa a bater c'uas tampas das panelas nos "tachos", que tão árduamente conquistaram ao longo destes 46 anos, mais uns dias!

Ó reforma dos meus pensamentos,  que tão dificil te tornas para me aparecer, mesmo depois de tantos pedidos que eu faço todos os dias à Nossa Senhora Aparecida!

Prontos Ti Maria Fernanda... voismecê pediu noticias minhas!, elas aqui estão!
E "ó despeis" de eu terminar de aprender a linguagem do Poliponeso eu vou aplicar os meus conhecimentos de "portugrego" que é uma lingua que está em formação e vai ser falada daqui a 517 anos que é quando se comemora o estrondoso êxito musical "in the year 25 - 25"!!!... (deve-se pronunciar " in de ier tuenti faive, tuenti faive!)  ou seja caso o homem ainda esteja vivo. 

Silvino Potêncio, Emigrante Transmontano em Natal/Brasil
Natal/Janeiro/2008

Nota de Rodapé: texto recuperado do meu extinto Blog  zebico.blog.com

Liberdade, Igualdade e Fraternidade!



Os Americanos tem por lema, escrito em todas as notas da Moeda Americana "Em Deus Confiamos". Os Ingleses aclamam a Chefe da Igreja Anglicana com o quase centenário "Deus Salve a Rainha", porém o resto do Mundo de Hoje sussurra apenas um tímido;  "Salve-se quem pudér"!
A sabedoria do povo é a base da conservação e da evolução da própria humanidade e por tal conceito eu vos trago aqui um texto para meditarmos e divulgar a quem interessar possa.

O Império Romano do Ocidente na Velha Europa

Uma carta recente que eu recebi hoje de um Amigo  Francês  que conheço há muitos anos me diz o seguinte ao se referir aos cidadãos da nossa faixa etária - a tal terceira idade! 

"Quando a Alemanha se preocupa em ver-nos a deixar nossos anciãos morrerem, eu tenho vergonha do meu país.


É como em 1940, a França que deixou a Alsácia cair, e não serão as poucas TGVs de sanitização que mudarão muito esta terrível realidade do COVID19.
Que vergonha para o meu país. Vergonha para o meu país ao ler este artigo do “Courrier International” ecoando muitos artigos de comentadores Alemães preocupados em todo o Reno, após um relatório publicado por especialistas alemães em Estrasburgo:
-  A Alemanha está alarmada com a "triagem de pacientes em hospitais da Alsácia". 
"Devido à falta de equipamentos, os pacientes idosos não seriam mais ventilados":
 "Qualquer pessoa com mais de 75 anos não está mais entubada" (Frankfurter Allgemeine Zeitung), 
"As pessoas na faixa dos 80 anos não são mais ventiladas [...] eles são colocados em cuidados intensivos e tomam pílulas para dormir que lhes são fornecidas" (Tagesspiegel).
 "Na França, pacientes mais velhos não são mais ajudados a morrer" (Die Welt).
Questionada sobre isso por Die Welt, a presidente do conselho do condado de Haut-Rhin, Brigitte Klinkert, não negou:
 "Pacientes com mais de 80 anos, mais de 75 anos, certos dias acima de 70 anos não podem mais ser entubados porque simplesmente não temos respiradores. Não é dito com freqüência suficiente, porque não só os nossos vizinhos alemães, mas também os franceses fora da Alsácia ainda não estão cientes da situação aqui.  
Eles nasceram durante a guerra, às vezes um pouco antes, às vezes um pouco depois, trabalharam na reconstrução da França como pequenas formigas trabalhadoras, ajudaram seus pais, ajudaram seus filhos - a quem às vezes escandalosamente mimados, talvez para compensar - sempre pagavam obedientemente seus impostos e contribuíam sem abafar, até recentemente quando suas pensões estavam congeladas e seu CSG , eles sempre ensaiaram com engenhosidade os encantamentos que ouviram na TV, como um mantra reconfortante, um método “Coué” - nosso sistema de saúde francês é o melhor que pode existir! - e agora eles seriam recusados a serem ventilados sob a alegação de que eles são muito velhos, muito desgastados, que eles devem ceder, deixar os outros, mais jovens, ter prioridade?
Sem dúvida, ninguém poderia prever a magnitude desta epidemia, mas a Alemanha, que hoje está horrorizada com nossos métodos “darwinistas” e vem para o resgate para recuperar nossos doentes, não tinha mais bola de cristal, Pythia ou Frau Irma. No entanto, tem o dobro de leitos de terapia intensiva per capita do que na França e o seu número de mortes nesta pandemia, é muito mais modesta que a nossa, não é atribuível, longe disso, à "juventude" da sua população!
"Devolva minha perna!" Isso é o que vem a ser repetido, todas as noites, no ouvido do ladrão protético, puxando-o pelos pés, o retorno de uma famosa história de horror que circula nos parquinhos”.


"Devolva meus impostos!" podemos ouvir em sussurros, à noite, por muitos anos, aos nossos governantes inconseqüentes que desperdiçaram, gastaram de qualquer maneira, subsidiaram qualquer um, regaram tudo, redistribuíram tudo e especialmente ao que está errado, forçando hoje um trabalhador da saúde já de si sobrecarregado a apressadamente cuidar oprimido!, que palavra horrível, para classificar estes pacientes!

Nota de Rodapé; isto é apenas um artigo de opinião de quem conhece bem não só a França como todo o resto da Europa profundamente. Atrevo-me a dizer que o famoso caminho de Marco Polo em direção à China, está aqui retratado no roteiro de volta após todos estes séculos e pelo que temos visto o COVID19 é apenas a primeira fase da nova ordem mundial.




  

Catramonzeladas Literárias

Assim se fala, assim eu escrevo

Em homenagem póstuma à Saudosa Amiga Maria Fernanda Pinto eu vos trago aqui um texto em resposta a uma das últimas Cartas que ela me e...