O LIVRO VERMELHO DOS CÁBULAS


Ainda na sequência do meu texto sobre a origem do meu Livro intitulado "Catramonzeladas Literárias" eu acrescento;  Quando eu tinha uns 21 anos de idade me ofereceram o "LIVRO VERMELHO DOS CÁBULAS".
 - Trata-se de um pequeno livro de bolso do Autor Jean Charles - Professor Francês - que reuniu ali em Antologia, as muitas e muitas respostas erradas de exames orais, ou de Alunos em prova escrita.
Daqui nasceram muitas piadas, firulas, sátiras e trocadilhos, alguns com alguma lógica e outros trechos são/eram apenas verdadeiras preciosidades - autênticas bombas e atentados à gramática e ao aprendizado geral de qualquer estudante.
Isto me serviu de inspiração e, de alguma forma, isto me incentivou para criar o meu esteriotipo literário que, ainda hoje eu entulho nas minhas "Fonéticas Catramonzeladas Literárias".

Daí que os Leitores ao lerem por ventura uma grande parte das Minhas Crônicas da Emigração, que eu vou divulgando aqui neste Blog devem considerar o contexto das citações nelas citadas como tema de abertura de cada uma de per si! 
Deixo-vos um exemplo: 




O vinho é a melhor bebida  do mundo cristão, desde que não seja "baptizado" ! ... Quando eu trabalhei como "taberneiro" alguns clientes pediam do branco porque o tinto, às vezes, era ungido com água!...   E por antologia de “juris consult” o vinho do  porto,  na verdade é dos transmontanos e alto-durienses, é dos durienses mirandeses, é dos imigrantes anglicanos, etc e tal, e coisa...
O vinho é a bebida preferida dos humanos, e por analogia dos baco-romanos mas sobretudo é a bebida preferida dos CATÓLICOS desde que não seja “baptizado” repito!!!...


Poema para o meu Amanhã!...





(extraído do meu Livro "AS PEDRAS DO MEU CAMINHO") 

Poema Para o Meu Amanhã!...
No Alto da Serra de Bornes,  
Aonde eu fui pastor um dia.  
Eu encontrei pedras disformes,  
Alguém as pôs lá a ver se caía!? 

Lá por trás ao fundo da imagem,  

Passa a estrada da minha Aldeia. 
Aqui começou a minha viagem,  
Rumo ao infinito que tenho na ideia!

Levei daqui comigo num bornal,  

A merenda do meu conhecimento.
Lembranças de menino etc e tal... 
Que são da Alma o melhor alimento!

Poemas meus que a memória me traz, 

De cada vez que eu subo ao Alto da Serra. 
São pedras do meu caminho que a imagem me faz.

Matar as saudades que tenho de voltar à Terra. 

Até que um dia uma delas dirá; "aqui jaz"! 
Quem um dia viveu as lembranças da Guerra. 

Tarde demais!...
Eu aprendi a viver de sonhos e fantazias. 

Removi as pedras do meu caminho, 
Muitas me deixaram saudades, 
E outras eu as guardei em pergaminho!

Tarde demais!... 

Eu acordei para a minha realidade, 
Daquela busca constante na minha idade pujante 
Para encontrar veredas do meu destino,
Distante e cada vez mais longe,
Perdi-me no espaço da imaginação.


Tarde demais!... 
Eu já me senti assim  só como Monge!
Muito antes de me tornar caminhante,
Da liberdade eu já era eterno amante,
Quando do sonho eu me acordei! 

E quando eu me for algum dia!

Tarde demais!...
Eu terminei esta minha agonia,
Da inspiração que me segue noite e dia,
Em busca do sonho que vive em mim, 

E nas rosas do Meu Jardim,
Como eterna fantazia! 


(in: POESIAS SOLTAS De: Silvino Potêncio)


Augó deu!... Augó lubou!


         O dinheiro que é mal ganho assim se fala em                         Mirandês! Augó deu, Augó lubou!!! 


A áugó deu, áugó lubou!...  (crônica número 024)

< Se não tens apetite não culpes o teu alimento> (Tagore)

 Eu mesmo, a mais das vezes eu me sento na mesa da Literatura Lusitana, a qual é fartamente recheada de todos os gêneros alimentícios (para a língua) e gêneros literários para o espírito; quando eu me levanto sempre digo - se visse antes o que vejo agora, eu não teria comido nada! -  Silvino Potêncio - (passageiro do "Niassa"em fevereiro/março de 1965)  

O velho e saudoso "Niassa" encostou no cais de Alcantara, quando então ele fazia fretes ao serviço da CNN - que nada tem a ver com a empresa do marido da Ti Jane Fonda, aquela "Barbarela" que tinha a "síndrome da China" - para mais uma viagem rumo ao ultramar.
- Já se tinham passado cerca de quatro anos desde que ele, - o nosso velho e bom bote transatlântico, qual "Cacilheiro"  que transportava na sua grande maioria cidadãos ao serviço da pátria tanto civis como militares - mas que sofria da "síndrome" da Índia, melhor dizendo da influência imperialista que vinha das Índias americanas, as quais se comportavam,  em relação aos portugueses,  como "aquelas mulheres de Atenas"... (sarává ó grande mestre Chico, filho do não menos conhecido baluarte do diccionário da língua de todos nós , o "Buoarco da Holanda").
 - Nesta viagem absolutamente real no tempo e no espaço,  eu fui forçado pelo próprio destino a embarcar nele, embora nunca tivésse sido marinheiro!,  - e  isto porque sendo eu oriundo "lá de xima" das terras altas,  eu vi o "mar da palha" pela primeira vez quando  já tinha uns treze anos incompletos, ali do portão principal da Estação de Santa Apolônia,  que fica um pouco mais acima do lugar onde começa a minha viagem de hoje - ou seja; o depoimento escrito de memória de eventos que marcaram a  minha pequena trajectória física rumo aos mares do sul. 
- E me vem isto a propósito de umas recentes reprimendas literárias lidas e absorvidas, como quem come a sopa ainda quente ou uns pratos de "milhos" feitos à moda Minhota, sempre com a colher pela beirado do prato... e que me deu vontade de fazer mais este texto, porque achei que o autor das tais "Vergastadas" virtuais ele exagerou na dose do tempero e das "águas de bacalhau", que é o que normalmente acontece aos escritos que falam mal do bem que os outros escrevem ao falar mal do bem deles mesmos.
- Dependurado no corrimão do "deck" inferior que levava aos aposentos da "galera de terceira classe", e para que o Ti Zé Artur não me visse de novo a chorar porque esta seria a minha última vez em vida!, eu desci à procura do meu camarote aonde permaneci deitado por uns dois dias e meio sem coragem para subir nem para o refeitório - digamos restaurante, porque ali ainda se vivia, comia e respirava um pouco da aristocracia Lusa, feito uma cópia remanescente dos grandes feitos dos Albuquerques e dos Vascos da Gama, dos Cabrais, e dos Gonzalo Zarcos, dos Bartolomeus Dias e noites a navegar lá na proa tão "emproados" que eles eram...dos tempos dos “ir ós do maaar”!
- Foram quatorze dias de navegação, com gente que nunca mais vi no resto da minha vida!... se algum dos leitores porventura se lembrar desta viagem, que entre em contacto. - Por certo ele há-de achar o caminho de volta para me encontrar!  
- E lá fui eu com vários companheiros de viagem que se aventuravam no sentido contrário da tendência natural dos movimentos migratórios daquela época, tão conturbada nos territórios Portugueses ultramarinos; - quem se aventurava a ir para Angola, Moçambique, Guiné?!... quando,  na verdade, naqueles tempos, de lá vinham tantas pessoas fugindo de situações tão absurdas criadas no pós 4 de fevereiro de 1961? -  Eu fui!...enfim, o destino é assim algo como um interregno préviamente programado, e uma sublime surpresa entre os dois momentos mais importantes na vida do ser humano; o da sua nascença e o do seu passamento.  
- Depois que o útero materno solta as "águas", irremediávelmente, todos nós descemos rio abaixo em direcção ao "mar da palha" que é a esteira do esteio de cada um de nós, até ao momento derradeiro de voltarmos ao pó da essência volátil que se perde no espaço infinito do esquecimento eterno.
Tudo o que acontece durante esse interregno o chamamos de vida temporal. 
- A minha viagem para o desconhecido mundo Ultramarino foi, talvez, a minha iniciação ao pretérito mais que perfeito desejo de algum dia - se Deus quisésse, e pelo visto Ele ainda quer - eu deixar o relato deste enfronhado movimento migratório que nos deixa sempre com vontade de ir para onde não estamos a cada momento.
- Todavia,  e antes que eu me distraia de novo com tão imensas lembranças de um passado ainda não muito distante - a mim me parece que foi ontem!
-  Eu quero justificar aqui e agora o porquê deste relato, deste breve trecho das minhas memórias, como apenas mais uma contribuição ao mundo das letras, e dos quase "iletrados" que, felizmente, somos a maioria remanescente da malfadada “descolonização exemplar”. 
- Para mim, como para quase todos os que aqui escrevem de graça, por puro prazer de o fazer aleatóriamente, e depois que eliminaram os serviços do SPM que eram de graça para os seus usuários .  E vale lembrar aqui aquilo que eu creio,  muitos já adivinharam; o período do meu "interregno"  em que eu mais escrevi foi durante o serviço militar onde a maior satisfação era receber e responder cartas e mais cartas, as quais ninguém tinha obrigação de responder!, (só a devoção à Língua comum a todos), eu deixei de me preocupar com os aspectos técnicos.
- Imagine-se a pressão sentida com algum senso de responsabilidade de publicar algo como mais valia a pedido do idealizador de um tal CCD (eu insisto em dizer que isto são só "Catramonzeladas" Com Democracia...) se tivermos que obedecer aos palavrões mínimamente catalogados na memória programática de cada um de nós como por exemplo; obedecer a exacta  compreensão e estruturação de texto ortográficamente correcto – ou será correto!? escrever “correto” em vez de correcto?!.
- O sistema ortográfico em vigor: o emprego das letras e a acentuação gráfica.
 A semântica: os sinônimos, os antônimos, a polissemia.... Os vocábulos homônimos e parônimos.
 A denotação e a conotação. A formação de palavras: os prefixos e sufixos. A flexão nominal de gênero e número. A flexão verbal: verbos regulares e irregulares. - As vozes verbais. O emprego dos pronomes pessoais e das formas de tratamento. O emprego do pronome relativo é sobremaneira relativo, reflexivo, ou compulsivo?!
Sei lá!?...  
A colocação pronominal. O emprego das conjunções e das preposições.  -  A ordem de colocação dos termos na frase, da concordância nominal e verbal. - A regência nominal e a verbal. O emprego do acento e da crase.
- Os nexos semânticos e sintáticos entre as orações, na construção do período. O emprego dos sinais de pontuação e milhares de outras "calinadas" que eu não me lembro aqui e agora! (certamente não será por isso que vou deixar de escrever o que sinto e  a forma como o sinto! 
Se era isto que esperavam de mim, tenho pena!
Sou Amador Amanuense e  estou por demais ocupado  e acho que não seria nenhum contributo nem para fazer gracejo, qualquer que fosse a inspiração do momento! 
Voltando agora ao nosso prato literário de hoje, que é bem mais simples do que os três pratos razos e mais um prato fundo em cima de todos, que me esperavam lá na mesa do restaurante do Velho Niassa. Mais Três copos em tamanho escadinha na frente dos pratos e umas seis ferramentas - duas facas, dois garfos, duas colheres - em volta deste trem artisticamente engalanado, foi a recepção que me assustou ao entrar no refeitório do "Niassa" pela primeira vez.
Na minha mesa me sentava eu, e mais uns três rapazes, uns "ganapotes" mais ou menos da minha idade - aquela em que se olha no espelho com uma lupa a ver se o bigode está seguindo o caminho natural do individuo nascido macho, loiro, (com olhos castanhos porque na minha terra só tem castanheiros) - e então começávamos a escutar a conversa que vinha da mesa ao lado.
 -  Era um professor que tinha acertado a sorte grande, viajou de férias para o "Puto" gastou lá a fortuna toda no jogo, e voltou para o Seles de mãos a abanar! (só anos mais tarde eu tive conhecimento dessa comédia em três actos tantas vezes sonhada e levada à cena dentro dos nossos projectos unipessoais - foi aí que me lembrei dos ditos da minha mãe; <o dinheiro que é mal ganho, áugó dou, áugó lubou!>
- Logo no primeiro dia nos olhávamos de soslaio, à espera do lacaio - no bom sentido -  para ver quem começava a guerra primeiro. O mordomo se aproximou com uma "terrina de sopa" e despejou uma colher no prato fundo, aí foi fácil entender que aquilo era para comer com a colher, mas qual delas?
Completamente mareados saíamos de fininho para correr para a casa de banho mais próxima e ali se lançava a “carga ao mar” até que nos acostumámos, foram práticamente três dias de treinamento anti labirintítico, herdado da Ti Julheta lá de Caravelas.
- Três dias depois de constantes tropeços pelos corredores do "Niassa", com a língua a saber a papeis de música, lá consegui finalmente comer um prato de sopa completo.
- Quatorze dias depois, e antes de desembarcar portaló abaixo,  eu ainda tive vontade de voltar para trás e perguntar se o comandante me aceitava como "taifeiro" autônomo?!... nem que fosse apenas pela comida. 
- Que pena que isso ficou apenas no pensamento! 
Creio que talvez seja por isso que,  ainda hoje,  quando alguém me pergunta se a língua portuguesa é difícil, eu respondo com uma pergunta:
- já lhe passou a fase do enjôo!?... o que vem a seguir é o remanso da tempestade, pela entrada da sopa, o bucho agradece e nos deixa naquele remanso da ressaca anunciada. --- Ai quem me dera voltar ao Niassa daquele tempo. 
A minha crônica de hoje vai para a Senhora Dra Dulce, uma Leitora  e parabéns á sua página, à sua luta pessoal - algum dia alguém aproveitará por isso que Senhora faz e publica, creia-me!...alguém lhe dará o seu devido valor na hora certa!   
- Silvino Potêncio/Natal-Brasil -
(texto original recuperado do meu Blog  ZÉ BICO) 

Os "Nizcaros" de Silvino Potêncio


Aqui de público eu agradeço ao Meu Amigo e Co Provinciano Henrique Martins, Administrador do Blog de Bragança Memórias...e outras coisas pela divulgação do Meu Livro "OS NÏZCAROS". Obrigado pela leitura e vos deixo os meus votos de BOAS FESTAS!... UM FELIZ NATAL A TODOS!


AVISO AOS NAVEGANTES!...








Aviso aos Navegantes!... depois de uma nova revisão nos meus livros já publicados pela AGBOOK, os preços na versão impressa foram reduzidos e adequados ao mercado livreiro para leitores em Língua Portuguesa. Os livros virtuais (Ebook em PDF) continuam no formato original colorido.
Desde já um FELIZ NATAL E PROSPERO ANO NOVO CHEIO DE PAZ E ESPERANÇA!...

O Ti Mário Bush " Echas" em Paris





A citação temática desta Crônica vem a propósito da chegada do "Ti Mário Bush Echas" ao exílio em Paris, no tempo do Estado Novo que morreu de Velho!
"As mulheres, os escravos e os estrangeiros não são cidadãos". (
Péricles - político democrata ateniense, "século V"  Antes do Cristo vir cá abaixo a ver isto!!
O Filósofo Péricles era um dos mais brilhantes cidadãos da civilização Grega.


De: S. Potêncio     ® Os Gambuzinos 

( crònica número 149 extraída do Livro homônimo)

Talvez por causa de uma bem azeitada pleiade de artistas da palavra  vendida ao desbarato, no palanque eleitoral,  e do método "xuxial" para convencimento de Ti Zé Pô vinho de qualidade duvidosa, os nossos governantes continuam a fazer a continência à Ti Europa, e todos com os bicos dos pés bem brilhantes, dos muitos lambe-botas que por ali circulam em bandos que mais parecem alcateias de Lobos em busca da presa Lusitana que continua distraída.
Razão tinha o Mestre dos Mestres quando ele cantava, descalço nas praias do Malabar e de Moçambique, ao lembrar da santa terrinha e dos versos do Pastor Peregrino, um seu fiel Escudeiro da Lingua de todos nós Francisco Rodrigues Lobo, nascido às margens do Rio Lis;
-  "descalça vai pera fonte, Lianor pola berdura!, bai fermosa e não segura." 
Sem dúvida a "laptospirose" continua a avançar em passos largos, mas muito subtilmente silenciososos!. faz-me lembrar a sombria canção do velho Zeca Afonso, a contestar o sistema na claraboia aos quadradinhos, a olhar os "ratos ao sairem da toca";   - eles comem tudo!, Eles comem tudo, e não deixam nada!.
E ali fica ele confinado a olhar o infinito azul do céu que vem da boca da barra, para buscar inspiração para mais um sucesso da juventude transviada dos anos dourados das campanhas de "Áquem diga que o Ti Bush echas era um aluno fiel dos folhetins radiofónicos via radioamador, que lhe foram ensinados pelo seu Pai Padre nascido um pouco mais acima, também nas margens do mesmo Rio. Era publicamente sabido que no tempo do Estado Novo - além dele, eram os bufos a soltar pum no Bar La vento, enquanto ele perambulava tranquilamente entre o "Mont Parnasse", e os Bidon Villes de primeira classe, para subir nas escadarias da Sorbone, na companhia de outros,  os exilados da mesma raça, todos ansiosos por pedir asilo político na Terra de Voltaire,  porque trabalhar faz calos!
 
Ah,Ah,Ah... bonjour Monsieur Máriôt,  voulez vous travailler ici en France!? 
---Aatãon ó pá!,... tu achas que eu vim p'racá p'ra França p'ra trabalhar,  pá!? 
Eu não!... eu vim para cá para protestar.
- Trabalhar é bom, mas é só para quem não sabe fazer mais nada, entendes!?
- Est ce que  Tu comprend!? 
Ah bãon!... voilá un vrai bon portugais!
Ele merece até ser politico.

E assim decorria devagarinho a "vie en rose" do nosso ilustre praticante do dolce fare nienti! Ele era só um emigrante em trânsito proveniente dos montes atlas aonde ele foi prestar homenagens póstumas a El Rei Seleuco.     
Mas,  dizia-vos eu que uma das características mais marcantes do nosso tempo, é a alegoria em nome da saúde dos animais, porque a das pessoas!, essa é parte integrante do discurso do governo.
- Quem  sabe ler nas entrelinhas, pode muito bem compreender a diferença entre palavra dada e a palavra vendida!
Até eu que sou semi-analfabeto, já "LINO" diário da república que vivemos hoje no nosso país, aquilo que nunca vivemos nos ultimos cinquenta anos, karago!
 
E digo-vos mais; è um progresso extraordinário em todos os quadrantes porque o país continua com uma mente quadrada. Um quadratura psitomácita totalmente voltada ao progresso, e de costas para a direcção dos assuntos em pauta nas "conversas de soalheiro".
Basta olhar na direcção certa! 
- Por exemplo, na Dren agem levada a cabo na região norte extinguiram-se as "Charruas" porque não é preciso mais arar a terra.
- Aliás! essa coisa de palrar como as "araras" sempre foi uma arma muito utilizada pelas práticas da "bufaria" no seu auge. 
- Já no caso das obras ao sul do Tejo temos inúmeros casos de progresso!  São quilómetros e quilometros de terra baldia, à espera que venham os "Kamones" que falam a lingua de Cervantes, e logo se encaixam num slogan mais ou menos emblemático:  
- Atención nuestros hermanos portuguesitos!    
- No hay problema de emigracion para Espanha! Acá,  basta "solamiente" dar o nome ao "passador" moderno e no dia seguinte voismecê já está admitido para engrossar a fila de trabalhadores em regime de contrata temporária. Todos  com direito a ser escravizado nas estradas da Catalunha, e nas pedreiras da Meseta central ibérica. 
Isto é público, é notório! E é sabido que em Portugal  nunca se emigrou com tanta categoria. 
Agora é uma maravilha! - Quando trocamos seis emigrantes por meia dúzia de cidadãos que nem sabem ler, porque as escolas são absolutamente dispensáveis! nascem logo uma dúzia de Doutores! E além disso começamos a despertar agora para o alto conceito de patriotismo "Kafkiano" onde se entende que o nosso maior herói contemporâneo é justamente o cidadão que está-se nas tintas para as origens Lusitanas! 
Enquanto isso no prelo a "gestetner" continua a trabalhar e a rodar as laudas e laudas que eu escrevi em papel de cera, para o museu de sua majestade o mentor da sacrossanta reunião virtual do Conselho de Estado miserável em que nos encontramos há décadas.
Ó pá,... aatão ná bais trabalhar oige?! 
Ê cá ná vou ná xeñori!  estou de baixa por causa dessa tal de "Laptospirose"!
- Veje lá cumpádi! Voismecê tome cuidádi purquê isso pode, atacári tambein os gambuzinos que  andam per aí à solta.
- Iludências mê cumpadi!... Isso tudo são só iludências.    
Autor: Silvino Potêncio - Julho/2007
(Emigrante Transmontano em Natal/Brasil) 

Escrevemos hoje as nossas Alegrias...





Por ela fui ao céu! 

Se TU  já não estás ao meu lado,
Crê em mim, pois não é culpa SÓ minha!
Um dia eu ATÉ  já fui apaixonado, 
Por AQUELA outra Prima Minha. 


Por ELA eu perdi toda a liberdade,
A pujança e amor na SUA afeição!
Por mim EU só esperei já ter idade,
Para ter EM TI um amor de perdição.
 


Por ela  EU fui ao céu e aqui voltei,
Para ter ENFIM e desde cedo o seu amor,
Aqui vivi e tanto assim  que  eu cá fiquei. 


Para sempre neste eterno padecer e tanta dor,
Deste meu benquerer-te sem ter mais fim,
Fica aqui neste meu céu, perto de mim! 


(IN: "POESIAS SOLTAS" - De: Silvino Potencio) 

 
Notas de Rodapé:
 
O soneto aqui acima emoldurado, eu escrevi com inspiração na foto da linda Actriz Sul Africana Charlize Theron.
A foto me foi enviada pela Amiga Poetisa Colombiana Vera Aristizabal cujo contacto eu perdi há alguns anos - depois que o portal CEN - Cá Estamos Nós  do qual fui Delegado foi desactivado devido ao falecimento do seu Principal Fundador Dr Carlos Leite Ribeiro.
Por alguma razão que o coração não conhece, ao olhar a foto eu adivinhei a tristeza do passado desta linda mulher que agora veio a público e eu vos transcrevo em solidariedade com a sua tristeza do passado, porque um dos meus lemas em pensamento é: Nós escritores escrevemos hoje as alegrias do presente para aliviar as dores de um passado triste já bem distante! 


Citação: 



Charlize Theron falou abertamente sobre a noite em que a mãe matou o pai em legítima defesa, realça a imprensa internacional.A atriz, de 44 anos, recordou o momento em declarações ao NPR, altura em que o pai, Charles Theron, embriagado, ameaçou-a a ela e à mãe, Gerda, em junho de 1991 (na época Charlize tinha 15 anos)."O meu pai estava tão bêbado que ele nem conseguia andar quando veio para casa com uma arma. A minha mãe e eu estávamos fechadas no quarto a segurar a porta porque ele estava a tentar empurrá-la", descreve."Ele deu um passo para trás e disparou três vezes contra a porta. Nenhuma das balas atingiu-nos, o que foi um milagre", relata.Entretanto, a celebridade afirmou que Gerda deu um tiro ao marido. "Foi em legítima defesa, ela acabou com a ameaça", referiu Charlize, sublinhando que a mãe não foi alvo de qualquer acusação em tribunal."Não tenho vergonha de falar disto, porque acredito que quanto mais falamos destas coisas mais nos apercebemos que não estamos sozinhos. Acho que, para mim, sempre foi uma história de como é crescer com um vício e o que é que isto faz a uma pessoa", completou.

Fim de citação. 

(*) O Fundador do Portal CEN (Cá Estamos Nós) Dr Carlos Leite Ribeiro foi um Mestre na Pesquisa de Histórias e Textos ligados à Lusofonia em todos os estilos e géneros literários! - A mim me incentivou a escrever sobre Emigração e eu escolhi o esterotipo que mais se adaptava aos meus pensamentos literários. 
Vale lembrar aqui que o Portal segue agora sob o comando da Poetisa Maria Beatriz através da página Amigos do Portal CEN.  


Fui Pastor em Trás Os Montes




Fui Pastor em Tràs Os Montes...
No azul do céu da minha Terra, 
Eu viajei e me perdi lá longe no espaço.
Levei para o infinito as lembranças da guerra,
E voltei para cá, com os versos que eu faço!

Subi Montes e desci Vales.
Era eu ali ainda uma criança!
Senti as dores de tantos males,
Que eu guardei como lembrança!

Não tenho rancor nem nostalgia,...
Que me cure esta grande paixão,
De voltar à Terra onde um dia,
Eu fundeei a raiz do meu coração!

Lancei ancora em mar de montanhas,
Fragosas são as pedras do meu caminho,
Como doces são as tuas castanhas,
Cozidas, assadas, ou com cheiro a rosmaninho!

Naquele longínquo Magusto da Eira,
O Meu Pai traçou a parte do meu Destino.
Vai-te embora! aqui não podes ganhar a “jeira”
Por troca de um simples copo de vinho!

Deixa ficar os cordeiros lá no Lameiro,
- Porque alguém os há-de guardar...
Tenta a tua sorte no Estrangeiro,
O teu destino, meu Filho, é Emigrar!...

Autor: Silvino Dos Santos Potêncio
Emigrante Transmontano em Natal/Brasil – desde 1979


VERSÃO EM MIRANDÊS: Fui Pastor an Tràs Ls Montes...

Ne l'azul de l cielo de a mie Tierra, 
You biajei i me perdi alhá loinge ne l spácio.
Lebei pa l'anfenito las lembranças de la guerra,
I boltei para acá, culs bersos que you fago!
Subi Montes i çci Bales,
Era you eilhi inda ua nino,
Senti las delores de tantos males,
Que you guardei cumo lembrança!
Nun tengo rancor nin nostalgie,
Que me cure esta grande peixon,
De buoltar a la Tierra adonde un die,
You fundei la raiç de l miu coraçon!
Lancei ancora an mar de muntanhas,
Fragosas son las piedras de l miu camino,
Cumo doces son las tuas castanhas,
Cozidas, assadas... ó cun tomilho!
Naquel longíquo magusto de la Eiras,
L Miu Pai traçou la parte de l miu Çtino.
Bai-t'ambora!... eiqui nun puodes ganhar la “jeira”!
Por troca dun simples copo de bino!
Deixa quedar ls cordeiros alhá ne l Lameiro,
- Porque alguien ls hai-de guardar...
Tenta la tua suorte ne l Strangeiro,
L tou çtino, miu Filho... ye Eimigrar!...

Outor: Silbino De ls Santos Poténcio
Eimigrante Strasmuntano an Natal/Brasil – zde 1979

Tradução e Adaptação: Silvino Potêncio



Catramonzeladas Literárias

Ler ou não ler!? eis a questão...

O JOGO SUJO DA FIFA - É um livro do Autor Andrew Jennings que nos mostra o que vai nos bastidores do Futebol Mundial - São 341 página...