Fui Pastor em Trás Os Montes




Fui Pastor em Tràs Os Montes...
No azul do céu da minha Terra, 
Eu viajei e me perdi lá longe no espaço.
Levei para o infinito as lembranças da guerra,
E voltei para cá, com os versos que eu faço!

Subi Montes e desci Vales.
Era eu ali ainda uma criança!
Senti as dores de tantos males,
Que eu guardei como lembrança!

Não tenho rancor nem nostalgia,...
Que me cure esta grande paixão,
De voltar à Terra onde um dia,
Eu fundeei a raiz do meu coração!

Lancei ancora em mar de montanhas,
Fragosas são as pedras do meu caminho,
Como doces são as tuas castanhas,
Cozidas, assadas, ou com cheiro a rosmaninho!

Naquele longínquo Magusto da Eira,
O Meu Pai traçou a parte do meu Destino.
Vai-te embora! aqui não podes ganhar a “jeira”
Por troca de um simples copo de vinho!

Deixa ficar os cordeiros lá no Lameiro,
- Porque alguém os há-de guardar...
Tenta a tua sorte no Estrangeiro,
O teu destino, meu Filho, é Emigrar!...

Autor: Silvino Dos Santos Potêncio
Emigrante Transmontano em Natal/Brasil – desde 1979


VERSÃO EM MIRANDÊS: Fui Pastor an Tràs Ls Montes...

Ne l'azul de l cielo de a mie Tierra, 
You biajei i me perdi alhá loinge ne l spácio.
Lebei pa l'anfenito las lembranças de la guerra,
I boltei para acá, culs bersos que you fago!
Subi Montes i çci Bales,
Era you eilhi inda ua nino,
Senti las delores de tantos males,
Que you guardei cumo lembrança!
Nun tengo rancor nin nostalgie,
Que me cure esta grande peixon,
De buoltar a la Tierra adonde un die,
You fundei la raiç de l miu coraçon!
Lancei ancora an mar de muntanhas,
Fragosas son las piedras de l miu camino,
Cumo doces son las tuas castanhas,
Cozidas, assadas... ó cun tomilho!
Naquel longíquo magusto de la Eiras,
L Miu Pai traçou la parte de l miu Çtino.
Bai-t'ambora!... eiqui nun puodes ganhar la “jeira”!
Por troca dun simples copo de bino!
Deixa quedar ls cordeiros alhá ne l Lameiro,
- Porque alguien ls hai-de guardar...
Tenta la tua suorte ne l Strangeiro,
L tou çtino, miu Filho... ye Eimigrar!...

Outor: Silbino De ls Santos Poténcio
Eimigrante Strasmuntano an Natal/Brasil – zde 1979

Tradução e Adaptação: Silvino Potêncio



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