A Morte de uma ilusão!...


Hoje teve um despiste no IP 3 e o condutor pediu ao Guarda (sem farda) para lhe guardar o saco da droga, etc e tal e coisa. Isto me fez lembrar da minha caçada aos "Gambuzinos" havida por mim logo depois que eu regressei de Angola na condição de "retornado". 

A Morte de uma ilusão!... 

O Poeta Guillaume Victor Émile Augier,  ele nos dizia lá da sua Bela Côte D’Azur;  Sofre-se mais vezes pela morte de uma ilusão do que pela perda de uma realização!
Com base nesse pensamento eu acrescento: Falar é fácil, difícil é realizar! E são estas as palavras que muitas vezes escutamos de quem não consegue realizar algo de seu, ou para o qual tenha disso sido incumbido.
- Escrever é nada mais, nada menos, do que exteriorizar o que nos vai dentro do pensamento, apenas com a diferença de que os pensamentos feitos em palavras, essas leva-as o vento!
Enquanto que os pensamentos escritos eles se perenizam, se divulgam e são aceitos ou recusados dependendo de cada leitor. 
Nós, os Emigrantes do tempo do "assalto à França",  à Alemanha, ao Luxemburgo, e mais tarde aos demais países que nos acolheram depois da crise dos anos "se senta" ( se senta aí,  aonde houver lugar para isso, à espera dos anos "se tenta")  e se tenta arranjar emprego, onde for possível, nós acabámos por nos acostumar com a ideia da redescoberta das nossas tradições seculares; seguir o caminho dos nossos ancestrais caminhos do mar e escutar a voz do poeta porque "navegar é preciso"! 
Restabelecidas que foram as liberdades democráticas no velho "recto ângulo" da europa, lá onde o mar começa e a terra termina sempre em chamas de saudade, sejam elas alimentadas pelo sonho de um dia voltar, ou até mesmo pelos descasos administrativos onde só se previne o que já é,  e está irremediávelmente perdido, nós sofremos a mesma força da impotência no combate à estupidez dos homens que a natureza não perdoa. 
- Sabemos todos que as condições climáticas são novas, são diferentes, são mais inclementes do que nunca, todavia outros países as sofrem de igual forma, e nem por isso são castigados como o nosso velho torrão natal.
- Eu até nem lhe chamaria mais por este nome, ao palmo de terra que lá deixei, mas sim um pequeno e minúsculo pedaço de carvão, depois de tantas vezes que a chama já lhe lambeu as berças.      
- Chegamos ao mês das "vacanças" e com isso trazemos na alma o temor da incerteza! Relatos de acidentes mortais, outros não menos prejudiciais ocupam as "pantallas" dos televisores, os écrans dos monitores e mais sofisticadamente - agora modernamente proliferados e pr'a frentex - são os visores dos telemóveis!
... estáaaaalá!!???
-Alá esteje cuntigo tumbém!
ó pá, ou estou aqui na santa terrinha, pá... 
- tu vistes-me!?... e tu onde estás?
- parece qu'és burro pá!,
-  aatão num estás a olhar p'ro monitor?
- ou!?,... burro ou!?, hein...burro és tu caraaaaago.
-  bem ou estou, estou cá sim!, pá, mas é que... épá, peraíiiii...
Ahhhhtchibum! Catrapum! shrrrrriiimmmm,.... pum, catrapum! e de repente o estálaaaaaaa por aí foi ladeira abaixo, até bater n'ua fraga de bico arrebitado! 
- Ai minha Nossa Senhora!,
Ai mou Jasuis dos Passos,
Ai Nossa Senhora da Assunção lá da aldeia de Vilas Boas... ai, ai, ai!...
- Nisto "xigou" o sô guarda,  que não toca na banda mas veste o modelo GNR.
- Olhou, viu, e em primeiro lugar bateu a continência, enquanto o infractor continuava lá dentro da viatura toda escambalhada!...
Oh que pena, era tão bonito, mesmo comprado na loja "d'occasion"!
- Ai minha Nossa Senhora!,
-  Ai mou Jesus dos Passos, (deixa-me gemer mais um pouquinho a ver se o home esquece a missão de combate do próximo mês lá nos "balcãs".)
- Ai Nossa Senhora da Assunção!,... ajuda-me aqui. 
Oh minha Nossa Senhora do Amparo lá de Mirandela, valei-me aqui que eu nunca tinha tido um acidente, foi a primeira vez, acredite ó sô guarda!
- Tá bem, tá bem... voismecê tem dinheiro consigo?
Aatãon ó sô guarda!,... u qué qu'é  isso home de Dous!?... tou aqui todo cubrado da espinha e voismecê inda me pergunta se tenho dinheiro!?... peis é claro que tenho, mas purquê?!  
- Tá no regulamento!
A "coima" paga à vista e no acto da infracção é mais barata, sabia?!  
Oh minha Nossa Senhora do Amparo!,... aatãon é isso é!?
A estrada está mal construída… é o que éeeee!
- Os "gajos" da Junta meteram a mão no orçamento e surripiaram uns trocados para irem de férias lá nas ilhas "sei... Cheles" e nós aqui é que pagamos essa tal de "coima"!?  
- u qué qu'é  isso home de Dous!? 
Olhe, "voismecê" tenha calma e vá lá mostre-me logo a carteira porque senão eu posso até  "en cu adrá-lo"  (uma forma do verbo "encuadrar" do português arcaico-douroiense) na infracção anterior que é muito mais grave, e ainda fica sem carta, sem email e até sem fax para avisar aos parentes.
- u qué qu'é  isso home de Dous!?  
"voismecê" vinha a falar ao telemóvel e quando olhou de novo p'ra estrada "voismecê" despencou pela ribanceira abaixo mais depressa do que se faz a troca de pneus da "ferrari" com a testa rosa como a sua! Voismecê quer pagar a coima, ou não!?
- "voismecê" tá doido... 
- u qué qu'é  isso home de Dous!?... eu não falei nada no telemóvel.
Eu só peguei nele para tirar uma fotografia a mostrar que eu estava aqui na santa terrinha, pô! 
 Diga-me cá;  "voismecê" já foi emigrante,  sabe cumé qui é home, né!?
- Temos que dizer p'rós amigos por onde "andemos", etc e tal e coisa.
Olhe, "voismecê" tenha calma.
Ou paga estas duas que já estão registradas aqui no meu PC (de bordo) ou quer que eu lhe aplique a "coima" anterior?!
- u qué qu'é  isso home de Dous!? Aatãon qual é a coima anterior?
- "voismecê" tá lembrado da velocidade que vinha antes de se despistar, ou seja antes de se "desestradar" ou melhor dizendo actualmente, antes de se "desitinerar" (entenda-se: aquele que sai do "Itinerário Preferencial")  aqui pola ribanceira abaixo? 
- e a conversa continuou enquanto a gasolina espalhada pela área foi se alastrando. 
Ó sô guarda!, qual a "coima" anterior à anterior?
- Porquê?
- Eu nunca fico a dever nada a ninguém, muito menos ao Estado lastimável em que estamos.
- Aqui nos seus documentos consta que "voismecê" nasceu no dia primeiro de abril de mil novecentos e... olhe!, - eu acho que a sua "coima" anterior ela foi cometida mais ou menos uns nove meses antes desta data! - quer pagar ou não?  
Deixe isso p'ra lá.
 - Afinal nós já estamos mesmo no fundo poço, e acho até que estas chamas em volta de nós dois aqui a conversar elas devem ser alguma coisa parecida com aquilo que se pode chamar de inferno na terra. 
A benção minha Nossa Senhora da Assunção!
 - Pena que não posso te visitar lá na próxima semana... mas p'ro ano eu vou, se Deus quisér. 

        Santuário de Nossa Senhora do Amparo - Mirandela - Portugal 

Cartas Literárias em Colectânea




Neste meu Livro "CARTAS LITERÁRIAS",  a ser públicado em breve,  eu reuni várias Cartas minhas para Amigos e Conhecidos, e outras desses mesmo Amigos ou Leitores que eventualmente comigo se comunicaram em tempos idos.
Durante quase 4 anos do meu tempo de Serviço Militar obrigatório eu tive várias Madrinhas  de Guerra as quais ajudavam a passar melhor o tempo à espera da então sonhada DISPONIBILIDADE! 
Ficar "disponível" era tão só,  entregar a farda e até aos 45 anos de idade, se convocado plea Pátria, vestiamos a Farda de novo.

Aqui neste Prédio à direita da foto - no segundo andar eu entreguei a Farda e recebi a Minha Caderneta Militar... uns 15 dias depois fiz a minha primeira viagem pela Europa!  Bons tempos!... quem me dera poder fazer tudo de novo! 

A Zona Parda da Comunicação Social


A Zona Parda da Comunicação Social! 

Eu recebi este texto em anexo por email o qual se refere ao então Comentarista da Televisão Portuguesa e hoje, Presidente da Répública.  
 A minha resposta imediata ao Autor Senhor Coronel Piloto Aviador J.B. Ferreira foi mais ou menos assim; 
 Apesar de considerar não ser este o local nem o sítio apropriado para debater o estado da censura em Portugal, eu atrevo-me contudo a lançar mais umas achas para a fogueira, estimando que esta achega possa contribuir para um melhor esclarecimento dos leitores.
Antes de avançar na explanação do tema em epígrafe, convém esclarecer que o Dr. Marcelo Rebelo de Sousa é um "opinion maker", exerce funções em part-time numa área a que nós (eles jornalistas), chamam de a "zona parda da comunicação social, onde não entra quem quer, mas apenas quem pode! e aufere grandes benesses, algumas valem fortunas por isso!.
Certamente ainda está recordado da telenovela em torno da questão do "contraditório" - no caso prevalecente do "não contraditório" - que acabou por levar ao colo o douto comentador para o canal estatal, com um acréscimo substantivo dos honorários.
À parte isso, o homem continua obstinadamente a debater-se apenas com o seu próprio contraditório, contando para o efeito com a preciosa ajuda de uma jornalista cujo ar transpira a secretária privativa. 
Nem eu mesmo, tão-pouco o senhor, entendemos, na essência, os jogos de bastidores na comunicação social.
Senão vejamos: actualmente, cerca de metade dos profissionais do sector estão no desemprego, ou exercem uma outra qualquer actividade que nada tem a ver com a sua formação de jornalismo de base.
Em contrapartida, as redacções estão pejadas de estagiários - cujo trabalho não é remunerado - de advogados, médicos e "especialistas", disto e daquilo, cuja única e verdadeira especialidade é saberem mexer-se no sistema e disporem de uma base de apoio suficientemente ampla que lhes permite ostensivamente colecionarem tachos, e não só.
O pouco do bom jornalismo que por vezes irradia, é renegado para segundo plano, ou não chega sequer a ver a luz do dia.
Não admira pois que os "Rebelos de Sousa", os Vasconcelos, os Rodrigues, os Sás, os Cunhas e Melos, e outros que tais, levem a dianteira sobre os jornalistas.
Isto não é uma novidade, é um "déja vu".
Seguramente que a questão mereceria uma abordagem mais profunda, mas não vejo hipótese de discuti-la neste esclarecimento, que pretendo curto e incisivo. 
Podíamos dissertar sobre o estado da arte, o ensino do jornalismo, acerca dos detentores dos meios de comunicação, analisar as questões de deontologia, o estatuto da carreira, a Lei da Imprensa, enfim todo um conjunto de condicionalismos que obstam ao digno exercício da profissão e que a meu ver, têm vindo a contribuir para a decadência do jornalismo em Portugal. E para quê?
Será que está nas nossas mãos, ou na dos jornalistas, alterar este estado de coisas. - Possivelmente, não. 
Quanto à censura nas redacções portuguesas, olhe, fale com o Marcelo.
Sinceros cumprimentos JB Ferreira. 
Acrescento aqui um pensamento mais do que realista de um Autor premiado e laureado na literatura internacional.
"Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, esse sim! é um CRIMINOSO... e lugar de criminoso é na cadeia. 



O livro de CONTOS PROIBIDOS – MEMÓRIAS DE UM P.S. DESCONHECIDO da Autoria de Rui Mateus, um dos Fundadores do Partido em Portugal, ele traz na contra capa algo que a maioria dos Portugueses nunca leram. Nem mesmo os filiados tomaram conhecimento,  porque o governo da época o mandou retirar do mercado antes de sair para as livrarias.  
São 270 páginas que nem todos vão ter a "pachorra" de o ler e creio eu, muito menos de o comprar, mas mesmo assim eu aqui o menciono para que a história não se esqueça de mencionar esta VERDADEIRA desmistificação daqueles que foram os maiores Traidores dos POVOS de Portugal e do Ultramar até 25 de Abril de 1974.
O livro foi escrito por um dos “homens de Confiança” do então poderoso "Ti Bush Echas", um verdadeiro “Lacaio” ao serviço da organização secreta inventada nos “states” pelo Velho Truman (que todos conhecem) e a regra era simples; quando estava na "Európia" ele era da "Internacional Socialista" totalmente à Esquerda. Mas quando negociava com o Velho Cow Boy do Tio Sam ele era um fiel seguidor das "verdinhas da direita capitalista"! 
O Autor caiu em desgraça dentro e fora do partido, por ordem dos donos do Mundo Lusitano, mas antes deixou este “rabo de palha” na Contra Capa do livro proibido:
Para além da ausência de regras que permitam, pela via individual, o acesso do cidadão à actividade política, não existem regras idôneas de financiamento para os partidos nem de transparência para os políticos.
Um pouco à semelhança dos “pilares morais” do regime, a Opus Dei e a Maçonaria. Tudo se decide às escondidas, como se os direitos dos cidadãos à informação completa e rigorosa de como são financiadas as suas instituições e dos rendimentos dos seus governantes e dos seus magistrados se tratasse de algo suspeito, de algo subversivo!"...
Por outras palavras; - se o livro fosse do conhecimento de todos quanto a estas regras internas deste e de todos os outros Partidos que pululam por aí em quase todos os países de indole social supostamente “democrática” ficava difícil convencer o “povão” de que o “Filho do Padre” não poderia criar a Fundação e sobreviver sem os milhões que já estavam a caminho das Oh Oh “OFF SHORES” caraaago!     
Aqui no meu espaço virtual cada leitor escolhe: ou lê mais do mesmo deste interminável oculto ABRIL MENTIRAS MIL, ou aceita o meu convite pra tomar a B.I.C.A. (Beba Isto Com Açucar)! E recordar bons tempos nos meus POEMAS DE ANGOLA…

De: Silvino Potêncio > Café de Angola...

Nas plantações de Café!...
Eu Trabalhei de sol a sol.
Plantar, Colher, Secar e até...
Torrar, Moer e  Beber,
Bem devagarinho, cada Gole!
Eu tinha apenas uns 15 anos,
Quando eu cheguei à Roça.
Conheci gente nova,  só de panos...
Se cobriam das partes aonde coça,
A vontade de amar de sol a sol! 
Café Verde da cor da esperança,
Que sai detrás das folhas e das flores,
Aparecem grãos pequenos em abundância,
Que depois ficam vermelhos com odores...
 E nos convida a sonhar de sol a sol.
No Terreiro ele se espalha,
Ali deitado e rodado noite e dia,
Até chegar ao ponto da mistura
Em segredo natural da sede pura,
O Café me faz sentir...
Esta lembrança que há muito eu não sentia! 
(in: “POESIAS SOLTAS” De: Silvino Potêncio)
Ex Residente + Ex Combatente + Ex Retornado + Eis Criba Avulso
Ex Pulso do Gueto Aulgarveschwitz e DACHAU.  
Emigrante Transmontano em Natal/Brasil 



Ler ou não ler!? eis a questão...


O JOGO SUJO DA FIFA - É um livro do Autor Andrew Jennings que nos mostra o que vai nos bastidores do Futebol Mundial - São 341 páginas que nem todos vão ter a "pachorra" de o comprar ou de o ler como acontece com quase todos os meus livros e os de milhões de outros escritores.
Alguns dos meus Amigos e Leitores me acusam de saudosismo exacerbado e outros - na sua grande maioria - me julgam ser eu apenas mais um pretenso escritor do "cada vez mais do mesmo"!
Eu diria; não é bem assim - Um dos meus maiores incentivadores para eu entrar nesta história de escrever hoje as nossas alegrias para aliviar as dores de um passado triste já distante, foi o Amigo Joaquim de Lisboa - Joaquim Serra, Autor do Livro " Na Rota de Diogo Cão".
Anos atrás por um motivo que penso ter sido a minha Amizade com os Membros do Grupo Moçambicano "Os Amigos da Beira" mas, vamos encurtar aqui o "post" senão daqui a pouco a página fica cheia de postes, de pilastras, de caibros, etc e tal e coisa.
Aqui no meu espaço o leitor escolhe: mais do mesmo, ou aceitar o meu convite pra tomar Chá?!


Os fumos do fumódromo caseiro...


Os “fumos” do Fumeiro (037)

 Os tristes acham que os ventos gemem, os alegres acham que eles cantam. (Assim falava Zalkind Piatigórsky – Juiz de Direito, falecido no Rio de Janeiro em 1979).
 Em visita relâmpago aos “gambuzinos” do interior da nossa “Santa Terrinha” quando ainda fumávamos…
E nóis fumos, vóis fumais, eles comem o fumeiro.
Eles comem  tudo que seja defumado. Vem-me isto  a propósito da evolução do verbete liberdade para libertinagem, e a forma lusa de practicar a solidaridade da saúde pública em recintos com a privada - que está a liberdade dos outros! 
Após confirmada a resolução do governo lusitano de manter a permissão de fumar em recintos públicos, eu, modestamente manifesto aqui a opinião de um ex-fumante que levou mais de 20 anos para se mentalizar das graves conseqüências dos erros da juventude, e por isso:
Junto aqui o meu veemente protesto, feito em cartório público e na privada!
- Este "manifesto" é Impresso a cores, com as impressões digitais dos eloquentes testemunhos verbais de que; lá na "santa terrinha" a preferência gastronómica continua a ser pelos enchidos da minha terra! E não há no mundo alheiras como as de lá!
Enquanto os fregueses se sentam na mesa a comer azeitonas e tremoços, e umas "tapas" a que  chamam modernamente de, "entrée"! ou mais sofisticadamente falando, o tal do "couvert artistique",os fumantes em liberdade incondicional acendem os charutos, os habanos, os galoises, as cigarrilhas, as cafungadas de rapé, e até amiudadamente algumas fumantes heroínas do craque, e outras coisas inaladas públicamente na privada, ali tudo é permitido! ou até mesmo, simplesmente, se acendem umas "biatas" surripiadas da sarjeta, também conhecidas por "piabas" que são colectadas com um alfinete na ponta da bengala, e escondidas no cós e na bainha das calças de burel, e prontos! Ali está um fumódromo caseiro, onde nem se paga para entrar porque, na verdade,  o que todo mundo quer é sair dali o mais depressa possível.
- Um verdadeiro restaurante tem que estar sempre aberto e pronto para atender bem o freguês.
-Koooffff, Kooffff, koooffffhhhhh,  aaaaghrrrr!.
- ó maldita carraspana gutural do tabaco. É o fumo, que não me larga esta voz de bagaço! ( ouve-se até de laaá de dentro).
- Dali sai aquela fumarada toda para defumar o fumeiro que fica ali dependurado por cima da cabeça dos clientes até ficar no ponto de ir p'ra brasa!
E de repente, não mais que num repente!...Lá vem o empregado, também conhecido por "garçon"  que segundo as últimas estatisticas do serviço nacional da PIDE (leia-se: Portugas Imigrados Do Exterior) ele é mais um do contigente Brasileiro em férias pela europa.
-  Achega-se com modos bem subservientes e humildemente pergunta à socapa!
-  e aí gente!,… ú qué vai sair oige?!
Ó pá, aatão tu és nobo aqui no café?!
- tu num sabes u qu'é que cremos?
- O senhor me desculpe mas eu não lhe posso dizer a resposta certa porque ainda estou à espera que saia o meu visto de entrada lá no SEF (leia-se: Serviços de Emigração Falida).
- Ou bem me cria parcer!... este gai jo num entende nada disto, páaaa!
- O parceiro do lado atalhou logo!
Não, não!, não, nós não  queremos entrada nenhuma!
Nós só cremos o prato da casa.
- Mas, Senhor!, o prato já está aí na sua frente!... e é da casa! - tem até o nome gravado no cu com tinta hidra-cor.  
Olhe, voismecê diga lá ó seu patrão que tá ki o "mané geirinhas" qu'ele já sabe u qu'è que nós cremos, tá bem?!
Nisto o empregado, que ainda não era conhecido por "garçon", vira-se para o lado do balcão, levantou a ponta do avental branco por dentro e manchado por fora de tanto passar nos pratos, antes de os botar na mesma mesa, no mesmo lugar, na mesma hora, nos mesmos dias da semana, depois de vários meses,  e grita:
Ó Ti Mané, tá ki o Ti Mané!
- qual deles?!,
- é o geirinhas, ele diz que o senhor já sabe o qu'é qu'ele quer!
De lá de trás do balcão levanta-se o sujeito com cara de dono de restaurante;
- Traz um lápis grafith em cima da orelha, um cigarrito no canto da boca e um avental de plástico e nylon modelo dá a volta ao mundo antes de lavar de novo! - E então ele encolhe um pouco a barriga para poder passar de lado por entre os engradados de cerveja já vendidos, e levanta os braços em forma de Cristo Rei de Almada.
-Ó páaaaaaa!, Oh Manel aatão tu estás cá!? 
Eu pensei que ainda estavas lá na estranja, pá!

- Aatão cumé qu'estás?
Bem, eu...
Ó pá, num digas nada, páaaa!.
Aqui tu estás em casa, páaa, tu ficas á vontade.
Vem daí aquele abraço, pá!... e de imediato estampou-lhe umas palmadas nas costas que até ficaram lá marcadas as impressões digitais deste depoimento.
Olha se ainda fumas podes até ir ali p'raquela mesa do canto que lá fumas melhor, podes encher bem o peito e botar umas boas baforadas p'ra cima da mesa dos vizinhos que são todos amigos.
-Olha Bem Mané, é que eu... Koffff, koffff,  koooffffhhhhh,  aaaaghrrrr! Kunkanecu.
Olha, já te disse pá!,... num tenhas problemas, aqui os meus amigos são sempre benvindos!
Ah, ah sim mas não te esqueças, olha que os preços deste ano está tudo pela hora da morte pá!
Bem, eu... É verdade pá!, Olha até queriam nos proibir de receber clientes que não fumam mas, nóis fumos lá na cambra municipal e batemos o pé!, sabes!?
- é que esta coisa de dar de comer às pessoas tem lá o seu quê, entendes!?
Bem, bem… Fala, páaaaa,... até parece que estás envergonhado home!?
Logo tu que me conheces desde garotos!
- Olha lembras-te daquele ano que fomos armar as ratoeiras às perdizes, p'ra fazermos uma arrozada e até tu ficaste lá  preso no bramante que eu pus detrás da giesta carago!?, aquilo é que eram bons tempos para irmos ós gambuzinos caraaaago!...
- Despeis inté fizemos uns cigarritos com borda de papel de jornal e botemos lá umas flores de arçã com folhas de carqueja branca!
Oh pá... enapá que bons tempos.
- Aquilo quando a gente conseguia um cruzado ou u'a croa p'ra comprar um pacote de " 20-20-20  " (três bintes) para irmos fumar atrás do muro do cemitério lá no São Miguel, aquilo é que era tempo baon carago!   
-Olha Bem Mané, é que eu... Koffff, koffff,  koooffffhhhhh,  aaaaghrrrr! Kunkanecu.
U qué que foi home!?..  fala, pá... U qué que foi?  
Bem, eu... Koooffff, ... eu tive um imprebisto e estou com fome mas deixei a carteira em casa, sabes como é que é!,... nesta pressa de te bir a ber, acabei por deixar a carteira em cima da mesa da cozinha e só me lembrei agora quando te queria pagar aqueles bales que tens ali pendurados na parede desde o ano passado, etc e tal e coisa.
- òh edmilson, desligaí a máquina de labar os pratos.
- Já temos aqui um "beluntário" para fazer o serviço de graça!
Em seguida  virou as costas e depois de mais uma tragada afastou-se a murmurar no meio da fumarada... só m'aparece cá disto, eu hein?!
Daqui a pouco estou é só a vender a "massa falida"  com molho de alcagoitas.
 - Enquanto isso lá em São Bento (do Norte, que fica a uns 110 quilometros acima da linda cidade de Natal) os mancebos responsáveis pelo ar mais poluído do recto ângulo lusitano, eles foram lá passar férias e se esparramam todos nas redes,  a apreciar as belezas naturais. Principalmente, as belezuras das naturais da terra, os enchidos peitos de cor marron,  que se bamboleiam ao som das maracas e dos maracatus!
- É ali onde o vento faz a curva da américa latina, onde  eles se espraiam naquilo a que chamamos já de a terceira casa do casal!...A casa da cidade é para remediados, a casa de  gente rica é outra coisa, pá. Tem que ser na beira da Praia e de frente pró mar.
- Agora em Portugal, ser chique e "xuxialmente" bem colocado na vida, é ter uma primeira casa na "reboleira" que serve de base de lançamento dos próximos episódios e dos códigos secretos para inserir no meu livro secreto sobre a P.I.D.E. (repito: leia-se; Portugas Imigrados Do Estrangeiro)
- Depois ter uma segunda casa no Barlavento Algarvio - ou seja; tem que ter bar la e vento!, muito bento, porque que se não tivér bento não pode aspirar o ar puro de São Bento...
Vale lembrar que aquilo lá no hemiciclo do Palácio de São Bento, ainda não tem o fumódromo com ar condicionado, e por isso é melhor deixar estar a coisa como está mais uns anitos - talvez uma legislação perenizada ad aeternum!
Por ultimo está na moda ter sempre uma terceira casa, que seja bem escondida lá pelas praias dos mares do sul, tipo Ponta do Madeiro, Baia dos Golfinhos, Baía Formosa, Búzios, São Miguel do Gostoso, São Bento do Norte é apenas uma referência, claro.    
- Assim, quando o Ti Zé Pô vinho perguntar a eles onde eles foram durante os últimos quatro anos de governo, eles apenas dizem; "nois os verdadeiros democratas xuxiais-xuxialistas, nois fumo fumar no fumódromo" - agora que o verão já vai deixando de ter fumaça, é sempre de bom tom manter o sonho no ar.  
Segundo disse o poeta: os sonhos são como as nuvens de fumaça!, uns se realizam e os outros se desfazem no infinito buraco negro do Ó zónio!
Oh Zônio! Oh pá, olha traz aí mais uma carteira de "Provisórios"!  
-  afinal nós “emigrantes avecs” até fumos aqueles que contribuimos muito para a melhoria da culinária portuguesa!
Nóis fumos ou não fumos?
Silvino Potêncio - Autor de "Catramonzeladas Literárias" troca os Vês pelos bês e outras frivolidades virtuais de fumeiro Tansmontano.

O Velho Ti Manel A Afonso


Depois de quase 4 anos em Portugal , em busca de  emprego naqueles  difíceis tempos de 1975 e seguintes, eu acabei  por reuni r as poucas economias que eu tinha, vendi o meu velho N.S.U.  na sexta, comprei passagem no Rossio no sábado e na segunda feira  cheguei a Recife – Pernambuco.
Dali segui para Natal e fui falar com o então Sr Consul  Honorário de Portugal;

O Velho Ti Manel  Alves Afonso.

... Natural de Caminha, o velho Ti Manel Afonso já então com mais de oitenta e tal anos, ele caminhava lento.
- Levantava-se cedo por hábito adquirido há muitos e muitos anos!
- Tomava o autocarro na porta da sua casa - único bem que lhe restou do patrimônio familiar angariado em mais de 70 anos de emigrante - e todos os dias, pelas  sete horas da manhã, ele abria o estabelecimento!
--- Ah! que consolo dizer isto à boca cheia.
O homem tinha uma "banquinha de jogo do bicho" com aproximadamente um metro quadrado de espaço, localizado  debaixo da escada que levava ao primeiro andar do prédio,  a qual lhe era autorizado instalar no vão da escada da entrada desse edificio,, o mesmo que outrora já fora o seu grande quartel general de negócios.

- Não é por nada não mas,  aqui me ocorreu o velho tango..
- Música melancólica que nem o tal Gardel conseguia disfarçar depois de uma noitada de dor de cotovelo:  --- corrientes!,treis cuatro ocho!, subiendo al primer andar!. ( ai, Jesus! que tristeza.) 
-  Muitos anos antes ali ele recebia politicos e comerciantes, artistas e jornalistas. Lá mesmo eu vi fotografias dele, Ti Manoel Afonso,  junto ao aeroplano, e junto  do Gago Coutinho em escala no aeroporto de Recife. Mas isso eram devaneios de outras eras, como o são todos os tangos de que me lembro!
- O dia a dia do Ti Manel Afonso era bem mais simples:
Ele veio para o Brasil com "carta de chamada" e não tinha passaporte.
Sim, senhores! O Ti Manel Afonso não tinha passaporte Português!
Eu instalei o meu Escritório de Representações  e durante vários anos fiz serviço voluntário para o Consulado em Recife e  eu pessoalmente o ajudei a tirar a Carteira de Identidade, ou RNE - RG como queiram lhes chamar,. - perguntei-lhe pelo passaporte e o homem simplesmente,  com lágrimas nos olhos,  se encolheu e confessou que nunca mais teve condição de ir a Recife para tirar o próprio passaporte ,mas,...ele até já nem o precisava!
-  Porque todo o mundo em Natal sabia que ele era o Consul Honorário de Portugal, então para quê ele precisaria de passaporte?
- Isto ele me diizia meio a sério, meio na brincadeira, porque eu era afinal o patrício que ele tinha ali mais perto da loja dele onde, às vezes eu ia lá para comprar um maço de cigarros (vulgo tabaco)  e ele se recusava a vender-mo!, sabem porquê?

Ele foi caixeiro viajante, enriqueceu no comércio de jóias, relógios e muito trabalho como bom emigrante que era.
- Construiu o prédio onde por vezes promovia bailes de gala nas décadas de 40 e 50 do século passado.
- Agora na década de oitenta ele tinha que vender cigarros avulso porque dessa forma ele conseguia mais uns trocados para a sopa!
- Se me vendesse a mim o maço completo, ele não tinha como abastecer os clientes que compravam um de cada vez! e, para disfarçar a contravenção de fazer o j”oguinho da bicharada”, lá vendia cigarros: um de cada vez!   
- Certa vez, Acompanhei-o eu a um almoço do Rotary Club local, em dia de homenagem a Portugal lá pelos idos do "dez de junho" de 1982- ou 83,  se não estou em erro,!... e o Ti Manel Afonso não aguentou de saudade!
A meio do almoço e na hora de botar "faladura", ele  desabou por cima da mesa com a fala já  entaramelada de emoção, depois de um copito do tinto, uma olhada na bandeira das quinas na parede em frente de nós dois,  e mais o amigo Albano, que também já está ausente,  ele apagou! Eu e o Albano lá o fomos a deixar na casa dele, quase desacordado.

- Faleceu um tempo depois,  já p'ra lá dos noventa e tantos anos, e a grande mágoa que o acompanhou na sua  última e derradeira batalha,  foi a sua grande tristeza de tudo ter dado e feito em prol do  nosso País, da nossa cultura, em terras Potiguares , e ele o Sr Consul Honorário de Portugal, ele jamais recebeu sequer uma menção honrosa de quem de direito.
- Ganhou muito ouro em vida, agora descansa em paz!.
Antes de ser Consul Honorário ele foi emigrante como eu, como qualquer um de nós Mundo Afora...
(Texto extraído do meu livro “CRÔNICAS DA EMIGRAÇÃO”)
Silvino Dos Santos Potêncio – Emigrante Transmontano em Natal desde 1979

Catramonzeladas Literárias

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   Nóis Fumo Ó Mercado da Rócas! Este é um poema meu em homenagem aos Poetas Cordelistas  Potiguares, em especial dedicatória aos Sau...