Falemos em Português e Mirandês...


Ao longo dos séculos foram aproximadamente 17 Povos que habitaram a região Ibérica e os primeiros de que se tem alguma memória foram os "Extrimnios". Em Portugal e Espanha há as regiões da Extremadura que sofreram a evolução dos tempos. 

Todavia e para não tornar este texto muito enfadonho vos trago apenas um excerto baseado nas crônicas do Escritor latino Avieno que viveu no Século IV  DC.
Estrimníos
Os Estrímnios (em latim: Oestremni são dados como o primeiro povo nativo conhecido de Portugal. Oestremni significaria (povo do) extremo ocidente. Estendiam o seu território da Galiza (Noroeste de Espanha) até ao Algarve. Este povo de hábitos rudes dormia no chão, alimentava-se de carne de bode e pão feito a partir de farinha de bolotas e praticava sacrifícios humanos durante os quais examinavam as vísceras das vítimas para predizer o futuro. 
Vindos de leste, chegaram os Sefes, guiados pela sua deusa-serpente, Ofiusa. Estes eram menos numerosos que os Estrímnios. No entanto, os Estrímnios eram um povo de agricultores pacíficos e os Sefes, além de bons guerreiros, possuíam uma religião mais desenvolvida e quase exterminaram os Estrímnios, tendo sobrevivido apenas alguns povoados dispersos pelo território que antigamente dominavam.

Em Portugal existem ainda hoje duas Linguas Oficializadas as quais tiveram origem na linguagem Galaico-Duriense situada na região de fronteira  de Trás Os Montes e Alto Douro de onde eu sou oriundo e por vezes eu consigo me lembrar dos meus tempos de escola primária, onde ainda hoje é comum trocar o "v" pelo "b"  e por isso há uma série enorme de verbetes e palavras que, se o leitor não estiver familiarizado ou se não for da região poderá não entender "bulufas" porque hoje em dia isso é mais do que comum. Hoje não se fala Português... linguareja-se!
 Fui Pastor em Tràs Os Montes...
No azul do céu da minha Terra, 
Eu viajei e me perdi lá longe no espaço.
Levei para o infinito as lembranças da guerra,
E voltei para cá, com os versos que eu faço!

Subi Montes e desci Vales,...
Era eu ali ainda uma criança,
Senti as dores de tantos males,
Que eu guardei como lembrança!

Não tenho rancor nem nostalgia,...
Que me cure esta grande paixão,
De voltar à Terra onde um dia,
Eu fundeei a raiz do meu coração!

Lancei ancora em mar de montanhas,
Fragosas são as pedras do meu caminho,
Como doces são as tuas castanhas,
Cozidas, assadas... ou com rosmaninho!

Naquele longíquo magusto da Eira,
O Meu Pai traçou a parte do meu Destino.
Vai-te embora!... aqui não podes ganhar a “jeira”!
Por troca de um simples copo de vinho!

Deixa ficar os cordeiros lá no Lameiro,
- Porque alguém os há-de guardar...
Tenta a tua sorte no Estrangeiro,
O teu destino, meu Filho... é Emigrar!...

Autor: Silvino Dos Santos Potêncio
Emigrante Transmontano em Natal/Brasil – desde 1979

Nota: Poema Inédito enviado ao Amigo Armando Palavras, o qual se destina à Antologia da Casa de Tràs-Os-Montes.


VERSÃO EM MIRANDÊS: Fui Pastor an Tràs Ls Montes...

Ne l'azul de l cielo de a mie Tierra, 
You biajei i me perdi alhá loinge ne l spácio.
Lebei pa l'anfenito las lembranças de la guerra,
I boltei para acá, culs bersos que you fago!
Subi Montes i çci Bales,...
Era you eilhi inda ua nino,
Senti las delores de tantos males,
Que you guardei cumo lembrança!
Nun tengo rancor nin nostalgie,...
Que me cure esta grande peixon,
De buoltar a la Tierra adonde un die,
You fundei la raiç de l miu coraçon!
Lancei ancora an mar de muntanhas,
Fragosas son las piedras de l miu camino,
Cumo doces son las tuas castanhas,
Cozidas, assadas... ó cun tomilho!
Naquel longíquo magusto de la Eiras,
L Miu Pai traçou la parte de l miu Çtino.
Bai-t'ambora!... eiqui nun puodes ganhar la “jeira”!
Por troca dun simples copo de bino!
Deixa quedar ls cordeiros alhá ne l Lameiro,
- Porque alguien ls hai-de guardar...
Tenta la tua suorte ne l Strangeiro,
L tou çtino, miu Filho... ye Eimigrar!...

Outor: Silbino De ls Santos Poténcio
Eimigrante Strasmuntano an Natal/Brasil – zde 1979
Nota: Poema Inédito ambiado al Amigo Armando Palabras, l qual se çtina a la Antologie de la Casa de Tràs-Ls-Montes.
Este poema fui scolhido i lido na Cerimónia de Abiertura de l Quarto Cungresso de Tras Ls Montes i Alto Douro an 25 de Maio de 2018, na Casa Regional de TMAD an Lisboua.
Tradução e Adaptação: Silvino Potêncio 




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