Nóis fumo ó mercado da Rócas!



Bob Mota - Poeta Matuto


Cordelista Zé Saldanha e Amigos  



Nóis Fumo Ó Mercado da Rócas!


Este é um poema meu em homenagem aos Poetas Cordelistas  Potiguares, em especial dedicatória aos Saudosos Cordelistas Zé Saldanha e Bob Mota com quem eu tive a graça de conviver durante alguns anos, eu deixo-vos aqui mais este texto em forma de verso rimado assimétrico! 
 
O original deste poema foi publicado no Blog do Autor http://zebico.blog.com que entretanto foi desactivado e por isso agora fica aqui republicado neste meu Blog "Crônicas da Emigração"!

De: Silvino Potêncio >

"Nóis fumo ó mercado da Rócas,
 P'ra fazê um troca-troca,
  Ali xiguêmo, à pois intão!?
   E foi com muita emoção,
     “Purquê” nóis tem lá muita cultura. 
- Pendurada no cordel,
     P'ra fazê um troca-troca,
Tinha poema rimado,
Até tinha disco de pedra e vinil.
 Tinha muita poesia,
  Que um dia lá existia!
   - Era um “tár de Luis d’ Camões”,
E outro de Luis Carlos Guimarães. 
E outro Da Cunha Lima,
Até do Siô Camara Cascudo,
Foi uma beleza pura!
- fizêmo lá um troca-troca,
- Àpois Nóis fumo ó Mercado da Rócas,
   Et fizêmo lá um troca-troca,
    De repente, por entre a gente,
Do mercado da Ribeira,
  Com mãos e braços repletos,
  Do “tár Machado de Assis”,
    E até lá du Santos Reis,
     Um porreta estrangeiro,
      Ali virou nosso freguês! 
À  pois intão?...
Nóis fumo ó mercado da Rócas,
P'ra fazê um troca-troca,
Purquê isso nóis não tinha não.  
- tinha só um trocado na mão! 
Da venda do outro dia,
Ao bairro da Cidad'Alta,
P'ra fazê a transação. 
- Intremo na Conceição,
   Assim nóis lá discubrimo,
    Tem até lá obra primo,
     Fiquemo até cum inveja!  
     De tanta literatura,
Pois lá tem também pintura.
P'ra fazê um troca-troca,
Muita coisa nóis ali vimo, 
E é bestial, é massa!, é sensacional,
Poder viver em Natal.
-  à despois que nóis viêmo de Portugal.
Autor: Silvino Potêncio – NATAL – 1999/2000  
(Emigrante Transmontano em Natal/Brasil

Nota de Rodapé: muitos dos meus poemas e crônicas são escritos com base na retórica popular (ou linguagem matuta) pois que neste caso o poema foi dedicado aos excelentes escritores de "cordel". Alguns deles já partiram porém eu tive a graça de poder conviver de perto com alguns depois que cheguei a Natal - a Cidade do Sol.  



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