Requiem para um Presidente cessante



Aquando da época em que o Ex Presidente do Brasil publicou uma Portaria a estabelecer o DIA DA LINGUA PORTUGUESA em data diferente do já secular 10 DE JUNHO - DATA EM QUE TODOS OS BONS ESCRITORES comemoram o passamento do maior Escritor da nossa lingua: Luis Vaz de Camões,  e em simultãneo se comemora o Dia da Pátria + o Dia da Raça Lusitana, acrescente-se um outro Pensamento universal "A Minha Pàtria é a Lingua Portuguesa" (Fernando Pessoa).
Na minha modesta verve em defesa deste princípio da Lusofonia, eu escrevi esta glosa em 2011 e que hoje todo mundo conhece e sabe porquê!...  


De: Silvino Potêncio > Requiem para Um Presidente Cessante...

Esta noite assim eu sonhei!
E foi por toda a noite inteira,
Que o Presidente eu chamei...
Voismecê era um “Asno” de primeira!

O meu pesadelo eu versei,
Ali em plena Avenida,
Por causa que o encontrei...
Por entre uma multidão alarida!

Foi só uma mera coincidência,
Eu lhe ter dado essa resposta,
Aquela que ninguém gosta...
De saber nem ter ciência!

A minha origem eu declinei
Senhor Presidente... Português, eu sou!
Na terra aonde o meu Avô chegou
Ainda antes da Guerra, informei!

Ah ... então Voismecê é emigrante?!
Pensou ele em desafio...
Olhe!... eu também fui Retirante,
Em São Paulo e até no Rio!

Ora bem ... vamos lá ver!
Disse-me ele logo em seguida
De soslaio em voz sumida
Eu só sei ler e escrever...

E para governar a Nação
Nada mais eu precisei por certo,
Nem diploma ou Certidão
Eu tive?! ... nem de longe, nem de perto!

E foi assim a discussão que logo ali começou,
Eu também nunca isso eu tive...
Mesmo assim aqui se vive
Com quem nunca em si votou!...

Tá bãon... tá bãon!... aatão ele disse;
Voismecê deve ter feito alguma prova?!...
Quando a sua cabeça era nova,
P’ra saber escrever esta mesmice!...

E o meu sonho se prolongou,
Ali por toda a noite adentro,
Misturei alhos com coentro...
Naquela fala que ele encetou!

Pois no meio da multidão,
O Maioral desta Nação,
Veio em minha direção,
Para me dizer que não!...

Que ele não era nada disso,
Daquilo que eu pensava...
Ele muito intelegentissimo
P’ro seu Povo discursava!

Este aqui me respondeu...
E me chamou de “inguinorante”
- Falou até que preencheu
O papel da prova adiante!

Quando fiz o politico “vestibular”
E só precisei de uma caneta
Porque a resposta era certa,
Nem precisei de estudar!

Sem luta nem entendimento,
Eu me rendi logo incontinente
E em frente ao Presidente
Eu me curvei um só momento!...

Mesmo assim eu lhe enfrentei
E de publico eu declarei
Que a minha resposta eu dei,
Sincera... era a melhor que eu achei!

E ele também não cedeu,
Da mesma forma que começou,
Assim o meu sonho acabou...
Nesta prosa e verso que agora é seu!...

(In: Poesias Soltas – Janeiro/2011)
Autor: Silvino Potêncio – Emigrante Transmontano em Natal/Brasil

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