Assim se fala, assim eu escrevo



Em homenagem póstuma à Saudosa Amiga Maria Fernanda Pinto eu vos trago aqui um texto em resposta a uma das últimas Cartas que ela me escreveu lá de Paris. 

A Arte de “Escrebere” em linguagem Emigrante.

Hoje eu não tenho intenção de fazer crónica alguma aqui no blog porque,  há uma subtil diferença entre pensar em voz alta, e o pensar em voz escrita! E muito menos em pensar em vos mandar qualquer coisa digitada na linguagem moderna onde,  só quem é formado em HTML, (leia-se: Hoje Tenho Muita Lanzeira) na arte de "escrebere" pode entender algumas semânticas do meu dicionário do emigrantado que está cada vez mais globalizado.

Gostaria, no entanto, de ressaltar aqui uns nomes de alguns dos meus leitores que me são muito queridos (as) - entenda-se que este "parentisis" aqui, é para destacar os leitores das leitoras menos avisados -  e começo por ler as palavras do "mestre" Amigo Escritor José Verdasca que altruísticamente nos brindou com o seu conhecimento e nos escreve aqui umas palavras muito bonitas - uns verdadeiros palavrões de sete e quinhentos!
Tais palavrões são do tipo em que a raiz do saber literário ainda andava de fraldas (naquele tempo eram conhecidas por "cueiros" lá pelos arrabaldes da Mesopotâmia, da Caldeia,  e do Monte Aaral em busca do azimute para chegar às minhas terras altas de Caravelas de Mirandela, para ali semear o que resta do "Mirandês"! 

Sou mais ou menos responsável pela volta às páginas deste meu Blog ( de vez em quando) da  Dileta Amiga Maria Fernanda Pinto que, no intervalo dos seus afazeres lá pelas bandas da cidade-luz, ela nos presenteia também com os seus belíssimos artigos culturais franco-lusitanos, onde se destaca a sua benevolência para as coisas da "xuxiedade" xuxialista neo-clássica pós edição do meu Código Dá VintchCinco de Abriu-looooooo!
Pois que, como sabemos ela é um autêntico colírio para estes olhos marejados de lágrimas ao olharmos "tanto mar" que nos separa do paraíso ibérico galaico-duriense que eu já estou de pescoço duro, só de olhar sempre naquela direcção:
 > Tu,...ó correio da 'nha terra,
>  leva esta carta p'ra mim.
>  Diz lá aos que andam na guerra,
>>>  que a bida ná é bem axim!... 

Ela é bem mais cumplicada,
... c'a gente nem s'apercebe
A cultura da abrilada...
nem se aprende, nem se recebe!!!

>>> Ela s'impõe peis aatão
Porque os impostos são deles,
Os adoradores de "platão".

...Estão cobertos de ouro e peles,
E benvestidos de tantos sorrisos,
c'a gente só escuta esses seus guizos!!!

Ah...Se eu fosse "zarolho" como era o mestre dos mestres emigrantes, o Luis Vais de Camiões!, isto seria um arremedo de soneto mas, voltemos ao rêgo!

Temos visto os "escritos" de quase todos os que por aqui passam. Eu não menciono nomes para não me tornar omisso todavia não posso esquecer o sempre sagrado sermão do Ti Antonio Justo lá da Alemanha. E por falar em sermões; olhe,...eu estou desconfiado que voismecê tem o email do Ti António de Bulhões, aquele que nasceu em Lisboa, mas ficou famoso quando Emigrou para Itália e os Italianos insistem em lhe chamar de Santo António de Pádua. Voismecê  não tem o email dele não!!??? Voismecê escrebe tão bem, home de Deus!  e é por isso que eu digo,  seria impossível citar todos individualmente,  mas... cabe-me aqui ainda uma nova reparação à guisa de explanação complementar que é a minha forma de escrever (ou "escrebere" como soe dizer-se nas minhas origens latinas, ainda segundo o sermão do mestre supra citado)  as minhas palavras e os meus palavrões, as crónicas e os sermões, as réplicas, as tréplicas e outras explicações,  para quem as pede ou as exige, sem nem mesmo assim fazer tal manifestação, são estas!  

Quando faço uma crónica temática tenho por hábito buscar uma citação vulgarmente conhecida para tecer as minhas considerações e, em seguida, lhes imprimir o contexto do meu pensamento ali intrínseco (que é como quem diz, tal pensamento  está incrustrado mais profundamente na nossa mentalidade emigrante, do que os arabescos que os mouros deixaram gravados lá nas fragas da minha Aldeia. 
   Portanto, depois de eu iniciar tais citações e, a esta altura do campeonato,  já são mais de meio milhão de escritos publicados sem jamais ter repetido qualquer desses pensamentos! é quando divago pelo sonho de fazer o tempo se renovar a cada nova era do amanhã ser bem mais e melhor do que hoje!

Infelizmente temos governantes que adormeceram em 24 de Abriu-looooooo! Para sempre e outros que continuam com medo de "amanha cerem" c'mós  gajos da P.I.D.E. (leia-se: a P.I.D.E... Portal Informativo Do Emigrantado) à porta de casa a bater c'uas tampas das panelas nos "tachos", que tão árduamente conquistaram ao longo destes 46 anos, mais uns dias!

Ó reforma dos meus pensamentos,  que tão dificil te tornas para me aparecer, mesmo depois de tantos pedidos que eu faço todos os dias à Nossa Senhora Aparecida!

Prontos Ti Maria Fernanda... voismecê pediu noticias minhas!, elas aqui estão!
E "ó despeis" de eu terminar de aprender a linguagem do Poliponeso eu vou aplicar os meus conhecimentos de "portugrego" que é uma lingua que está em formação e vai ser falada daqui a 517 anos que é quando se comemora o estrondoso êxito musical "in the year 25 - 25"!!!... (deve-se pronunciar " in de ier tuenti faive, tuenti faive!)  ou seja caso o homem ainda esteja vivo. 

Silvino Potêncio, Emigrante Transmontano em Natal/Brasil
Natal/Janeiro/2008

Nota de Rodapé: texto recuperado do meu extinto Blog  zebico.blog.com

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