A Fé do Povo de Angola


(início de citação)
De: Sónia Tereza Vieira (Oeiras, 10.06.2019)
o ópio do povo!...
Eu trabalhei durante alguns anos como representante residente de uma ONG alemã dependente do Concelho Mundial Ecuménico das Igrejas denominado Brott fúr die Welt (pão para o mundo) consistindo o meu trabalho no apoio institucional, finançeiro e técnico de projectos de impacto social junto de organizações da sociedade civil com destaque para as instituições religiosas.
Identificava igrejas e os projectos comunitários destas, ajudava na elaboração dos projectos em curso ou prespectivados segundo as normas da minha organização, submetia a financiamento e uma vez aprovados fazia o acompanhamento dos mesmos pela avaliação sistemática...na altura(1994/96) só na cidade de Luanda(para não falar nas demais províncias)tinha recenseadas 637 igrejas dos mais variados cultos(até animistas)...um verdadeiro negócio...até uma delas, assim que teve a notícia que iria receber o financiamento solicitado,após a chegada do mesmo desmembrou-se em três...grandes makas...claro que cortei o subsídio e como já tinham arrancado com a iniciativa, reuni com alguns fieis que estavam a implementar o projecto, criei um grupo de coordenação que geriu o projecto, mandando os pastores  às urtigas...isso nada me espanta...se já não acreditava nas igrejas passei a abomina-las...cambada de criminosos...são piores que os partidos políticos...pois alimentam-se da fé dos crentes que, em desespero, procuram na igreja o bálsamo para as suas almas atormentadas pela miséria (material ou espiritual)...CAMBADA!
- texto recebido via internet -
Fim de citação. 


Nota de Rodapé:  Os quase 11 anos que eu vivi em Angola me deram um conhecimento bastante profundo do POVO Angolano e dos seus usos e costumes que espero sejam passados aos seus descendentes. Atrevo-me inclusivamente a classificar esses anos vividos em Angola como os melhores quanto à minha fase criativa e literária, não tanto pelo facto de incluir neste período da minha vida  os tão apregoados “anos dourados da juventude” e mais pelo muito conhecimento adquirido e sobretudo pelas amizades que por lá ficaram ou se espalharam na sua maioria mundo afora.  Daí que, quando me perguntam a razão e o porquê desta minha classificação eu apenas resumo nisto; a minha vida era um “livro aberto” com as folhas soltas ao vento!, mas... de repente surgiu um vendaval, um autêntico furacão chamado “descolonização”!  
Tenho recebido aqui inúmeras cartas as quais eu guardo com carinho e muita nostalgia, sobretudo uma incomensurável saudade que dói, dói... e não adianta esquecer!
O texto acima me trouxe esta saudade. Obrigado Amiga Sónia Teresa Vieira e não se deprima amiga. Se lembre do pensamento maior do Poeta Fernando Pessoa que, ainda criança, também passou por Angola… “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”!  
Com certeza o seu trabalho mereceu a pena sim. Valeu a pena apesar da “CAMBADA DE BANDIDOS, BANQUEIROS, TRAIDORES, POLÍTICOS CORRUPTOS” que imperam não só em Angola,  mas em muitos outros países, mesmo naqueles que escondem o lado ruim da sociedade em que vivemos. Pessoalmente eu agradeço pela sua carta em abono do POVO ANGOLANO. E me despeço com um velhor provérbio Indio: a Fé pela qual eu me ajoelho é a mesma que me ajuda a levantar.
E depois destes quase 11 anos que eu vivi em Angola, eu comecei a publicar as minhas memórias que eu compartilho aqui com Amigos Novos através das "cartas literárias" que me chegam e já reunidas em livro que será publicado em breve. Acontece que infelizmente as muitas "cartas e aerogramas" daquela época se perderam na poeira do tempo e do vendaval que se abateu sobre os povos do ultramar tão vergonhosamente vendido pelos Traidores do 25 de Abril MENTIRAS MIL. Vale lembrar que houve traidores de ambos os lados da negociação, mas escrevemos hoje as nossas alegrias para aliviar as dores tristes de um passado já distante!   

Fica com Deus!!!
Silvino Dos Santos Potêncio
Emigrante Transmontano em Natal/Brasil
Ex Residente em Angola.

Uma Ode a Fernando Pessoa!






Fernando António Nogueira Pessoa (Nasceu em Lisboa, 13 de junho de 1888 — Faleceu em Lisboa, 30 de novembro de 1935) foi um poeta, filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português. 
Numa das minhas efêmeras passagens pelo Bairro Alto eu passei em frente à Brasileira aonde o poeta me convidou (em mente) para sentar, e eu aceitei. Mais tarde eu lhe dediquei este meu poema inspirado pela B.I.C.A. que ele inventou. 

Pois ele costumava dizer para o empregado recomendar ao servir o Café Beba Isto Com Açucar! 

Eu fui conversar com o Poeta em Pessoa!...

Eu fui conversar com o Poeta,
Que me recebeu já sentado.
Pedimos uma "bica curta"
E lá me sentei ao seu lado
... Falámos de tudo um pouco
Ali na Calçada do Chiado!
Foi ele que me convidou
E pelo muito que me escutou...
Saí de lá inspirado a subir ao Bairro Alto.
Com o coração na boca,
Subi bem devagarinho...
Porque os anos já me pesam de mansinho,
Cantei o fado baixinho,
Como ele talvez o tenha feito
Ao gravar esta saudade no peito
De quem ama a poesia,
O sonho de sentir alegria
E o desejo de viver na Lusofonia.
Depois da conversa acabada,
A Alma ficou mais lavada,
E eu desci pela calçada...
A pensar com os meus botões,
O Mestre não disse nada...
Só me mostrou reflexões
Das cores do nosso sentir!...
Do tempo que ainda há-de vir
Do passado que já se foi,
Do presente que agora doi...
Do Futuro que já nos corroi!
As forças deste térreo viver
Em espírito imaginário...
Deste meu entardecer.

(in: "POESIAS SOLTAS " De: Silvino Potêncio)


Na comemoração dos 120 anos do nascimento do Poeta, eu recebi aqui uma carta que guardo até sempre, que me foi enviada por um outro Poeta que eu muito estimei em vida, o Meu Saudoso Amigo Vasco dos Santos, Escritor, Poeta, Advogado, Editor, Crítico Literário nascido em Alcafozes no Concelho da Idanha-a-Nova - Beira Baixa, mas que passou a maior parte da sua vida no Brasil.

Sobre Pessoa ele escrevia assim:

Ode aos 120 anos do Poeta

O Poeta Fernando

Guardo um pesar profundo, por esse homem ser considerado, o maior poeta do mundo.
Imagino-o, de menino, demarcando pegadas, do seu destino.
Ora, Fernando, desde quando algum português deixou a Pátria chorando, não esperando voltar outra vez?
Tivestes sorte. Outros te antecederam, partiram mas não voltaram e o sonho e a aventura com que sonharam, terminou na morte e na rasa sepultura.
Quando se perdeu o sol, o rumo, o horizonte, não sobrou quem conte
o que ali aconteceu!
Deves ter feito a mesma leitura do Velho do Restelo, estarrecido e escondido nas areias do Tejo ao ler na Escritura o terrível  libelo do sonho e da aventura!
Sei que isso é coisa do passado, de Netuno e seu feitiço, amarrado no fundo do mar  e do gigante Adamastor no oceano profundo, envergonhado com o poder ousado dos descobridores do mundo.
E o poeta-menino, já tracejava o seu destino, adernando à costa africana,  “ passando além da Taprobana”.

Ó mar aberto do sonho desperto! Lisboa tão longe, Portugal tão perto!
Encerrando um ciclo do seu destino, começou voltando pelo mesmo caminho.
 - Até imagino! Lisboa desperta, clara, aberta, habituada à partida e à chegada de tanta gente perdida, de tanta gente embarcada pra sempre, pra toda a vida, por causa de tudo, por causa de nada!

Quantos regressos de sucessos de insucessos mal sucedidos?
- Pra tantos,  tudo... para quantos, nada.
Mas, Lisboa, segura e certa de que o poeta carregava um baú  que sinalizava a Mensagem que trazia pra revelar, deixou a porta aberta e mandou-o entrar.
Mal desce no cais, escancara-se o Terreiro do Paço e depara-se com o cavaleiro de aço do rei que já o foi e não é mais, embora sustente no braço as rédeas do seu cavalo de aço dum rei que só é rei por ser rei do Terreiro do Paço. 
Segue em frente a olhar toda a gente que vê e examina e, porque sente ser discriminado, deixa cavalo e cavaleiro de lado e entretém-se a olhar a cidade Pombalina que à sua frente descortina.
Entra no café, senta-se à mesa, saca do papel e da caneta, escreve a granel, a tinta preta, mas, escreve...
Toma café  e bagaceira, na Brasileira  do Chiado e, sentado na mesma cadeira ou ao mesmo balcão encostado, bebe.
Poeta verdadeiro exala cheiro de poesia e se entrega, divide, se parte e reparte e se acrescenta e o grupo torna-se maior e se aumenta e, quando a poesia acontece, sempre a alma sedenta  de poesia, ao seu redor, aparece!...
Foi eleito o primeiro cavaleiro da távola redonda da mesa do café.
À semelhança, dos cavaleiros... sob a liderança de José de Arimateia, que encucaram na cabeça a idéia de que aquele vaso guardava gotas do sangue de Cristo,  o mesmo ele fazia.
 E não era nada disto. O poeta tinha fé na poesia que fazia.
Na bagaceira que bebia na Brasileira, no Martinho onde o poema fluía.
E sempre lá ia, repartido,  dividido em cada nome diferente que escolhia, olhando-se a si mesmo, vendo-se em toda a gente, quando escrevia,  sorvendo o café, intercalando aguardente.
E como toda a bobagem  é pouca, teve a idéia louca e publicou “ “Mensagem”, livro único e derradeiro que a vida lhe deu de tanto que escreveu na sua longa viagem!
Só. Absolutamente só.
Como o outro, o primeiro, cantado por gerações, “ entre rimas de trovões” ( refiro-me a Camões), morreu pobre como Jô.
Nem escravo teve para acompanha-lo ao cemitério dos Prazeres!
Que ironia do destino! parece sarcasmo divino o nome emprestado a esse campo santo!
A sua trajetória acabou na cama merencória dum hospital.
Não faz mal. Afinal, tem estrela no céu  que já morreu mas a sua vida não se encerra e continua iluminando a terra.
Completando a ignomínia, um editor tagarela caiu na esparrela de abrir a boca,  falando: -´Fernando, que pena, não ser teu contemporâneo! eu te descobriria e editaria.
Como se os editores, em todos os tempos e eras, não fossem coveiros de tantos sonhos e quimeras!
Mas, o poeta, que o escutou, deixou a porta do túmulo aberta,  se levantou e, sarcástico, numa risada cadavérica, lembrando Soares dos Passos, abriu os olhos e soltou os braços, trocou a sentença apensa à sua mensagem:
-Nada vale a pena se a alma é pequena. E pediu licença pra voltar ao túmulo.
Fico imaginando  nosso último encontro, caminhando pelas ruas da Baixa Pombalina, num friorento inverno, corpo franzino, transido de frio.
-Onde vais, Fernando? -Vou pro rio.
O Tejo anda vazio, não há caravelas,  nem navio, e vou continuando a poesia,  a mensagem na mesma linguagem que inventei um dia e ainda não terminei.
E, com a alma serena, tudo o que previu, redisse: “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”.
Adeus! - disse e se despediu…

S.Paulo, 27 de Junho- 2008
Vasco dos Santos

O Assalto à Língua Portuguesa!






Assalto à Lingua Portuguesa!...

O jornal ABC do Amigo Jornalista Raul Mesquita do Canadá, publicado no dia 25 de Maio ultimo,  traz um comentário que interessa a todos os falantes e usuários da Lingua de todos nós.
Neste comentário, que eu transcrevo aqui em parte pela actualidade do dia de amanhã – 10 DE JUNHO – Dia de Portugal – Dia da Raça Lusitana – Dia de Luis Vaz de Camões, o Maior Escritor de Lingua Portuguesa de todos os tempos e por isso mesmo DIA DA LINGUA PORTUGUESA.
Diz-nos o Senhor Fernando Santos Pessoa de Faro, que o Dia 05 de Maio homolado recentemente pela ONU, como sendo o Dia da Lingua Portuguesa não tem base jurídica e muito menos não tem base intelectual que lhe possa sustentar tal comemoração e porquê?
(início de citação)
… O dia 5 de Maio, foi o dia mundial da lingua portuguesa, que infelizzmente tem sido abastardada com o maléfico  AO (ANUNCIO OFICIAL)  que dizem estar em vigor, embora haja juristas, e não só, que dizem não estar!!!
Espanta-me – ou talvez não! – o desplante com que se modifica a nossa lingua por decreto, elaborado por uns pseudo-iluminados. O AO não serve para nada e é mais uma triste imagem da parolice nacional. Já alguém viu a Grã Bretanha, a França ou a Espanha a fazerem patetices destas com o Inglês, o Francês ou o Castelhano???...
(fim de citação)
Vamos voltar um pouco no tempo!... Logo no primeiro Mandato do Ex Presidiário, Ex Presidente do Brasil,  em 2003 ele recebeu a Comenda da Universidade de Coimbra de Doutor Honoris Causa, que Nunca lhe foi retirada, nem mesmo depois de ele declarar em Público repetidas vezes que era semi-analfabeto!
- Mais ainda na sua ideologia cultural ele se auto entitulou o dono da Lingua Portuguesa porque como era Presidente do Brasil, um País com mais de 210 milhões da falantes da Lingua de Camões, ele merecia ser o dono da Lingua!
Como diria o meu saudoso Amigo Escritor Vasco dos Santos, autor de mais de 24 títulos Editados em São Paulo sempre em lingua Portuguesa,  absolutamente erudita com um alto conhecimento do POVO E DA ALMA de Portugal D’Aquem e D’Além Mar em África, Ásia América e Oceania… “oh santa inguinorança a deste Doutor Honório das Causas impussívis”! – O Brasil é atrasado por culpa dos Portugueses!
Mas voltemos ao verdadeiro assalto à cultura Lusitana homologada pelos Doutos Magníficos Reitores da Universidade de Coimbra, e por juris consult post mortem pelo nosso Rei Poeta Dom Dinis.
Ao voltar para Brasilia com o Título de Doutor Honoris Causa, ele se apressou a Publicar no Diário Oficial da Répública do Brasil por Decreto Presidencial o Dia 05 de Maio como sendo o DIA DA LINGUA PORTUGUESA do Brasil.
A Universidade de Coimbra foi Em 22 de junho de 2013 declarada Património Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura pela UNESCO… e aqui chegamos ao covil dos assaltantes que ainda andam por aí à solta.
Como a UNESCO tem a sua Sede operacional em Paris, foi lá que começou o plano para roubar o DIA DA LINGUA de 10 de Junho para o dia 05 de Maio.
Seria por demais entediante aos analistas do assunto, contestar na UNESCO algo que a ONU já homologou com o beneplácito do actual Secretário que, para mal dos nossos pecados é também Português (eu acho que é!?) e senta ao lado dos Intelectuais Globais, principamente dos Países (PALOP) de Lingua Oficial Portuguesa, que simplesmente disseram “Amém” para uma iditotice destas!...
Só para lembrar;  a Universidade de Coimbra é a Segunda mais Antiga da Europa, fundada por Dom Dinis,  a sua história remonta ao século seguinte ao da fundação da Nação Portuguesa, dado que foi criada a 01 de Março de 1290, quando o rei D. Dinis I  assinou na cidade de Leiria o documento “Scientiae thesaurus mirabilis” criando assim a universidade, o qual foi intermediado e confirmado pelo Papa.
Fixada definitivamente na cidade de Coimbra em 1537, sete anos depois, todas as suas faculdades se instalam no antigo Paço Real da Alcáçova (denominado Paço das Escolas, após a sua aquisição pela Universidade de Coimbra em 1597).
Vale lembrar que (acredita-se) Luis Vaz de Camões terá nascido também em Leiria em data incerta aproximadamente 1524...
Não há certeza absoluta quanto ao ano da morte do poeta. D. Gonçalo Coutinho em 1594 pôs-lhe na sepultura da Igreja de Santa Ana uma lousa com a seguinte inscrição: «Aqui jaz Luiz de Camões, príncipe dos poetas do seu tempo, morreu no ano de 1579, esta campa lhe mandou pôr D. Gonçalo Coutinho, na qual se não enterrará ninguém». O documento relativo à tença de Camões (Livro III das Emendas, fl. 137 v., Torre do Tombo), reclamada a título de sobrevivência pela mãe dele, Ana de Sá, refere que o poeta teria morrido em 10 de Junho de 1580... Em qualquer dos casos, se 10 de Junho se refere ao calendário juliano então em vigor, no calendário gregoriano atual corresponde a 20 de junho, dia em que se deveria celebrar o aniversário da morte do poeta e não o 10 de Junho... (Mário Saa, As Memórias Astrológicas de Camões, Empresa Nacional de Publicidade, Lisboa, 1940, pgs. 313-317)
Por isso eu tenho esta frase emoldurada: honremos os mortos, porque os vivos o mereçam!  Portugal é Eterno e nunca se diga Adeus para sempre!
Silvino Dos Santos Potêncio
Emigrante Transmontano em Natal/Brasil desde 1979.





Honremos os mortos, porque os vivos não merecem!


Tenho este meu poema na minha página literária na forma de “acróstico” com o título Disponibilidade - Poema do Fim!  
"Acróstico" é um tipo de texto em prosa ou verso, cujo parágrafo começa sempre por alguma letra do título ou relacionado com o nome que enforma o respectivo tema. Nos últimos meses do meu tempo de Serviço Militar, todos nós só pensávamos na passagem à "disponibilidade"  e esta era a palavra que não me saía do pensamento e por isso eu a incluí neste meu primeiro livro de "POEMAS DE ANGOLA"!... Oportunamente, e por sugestão de alguns camaradas daquela época, eu encaminhei um original deste poema para publicação no Jornal do Exército que,  todavia foi recusado! (creio eu que o Director  de então interpretou isto técnicamente não publicável) Todavia, como já estava no roteiro do meu livro, ao relembrar esses anos, me sinto confortado em ler estas recordações!


Durante longos 42 meses eu vesti a Farda do Exército Português e assim cumpri o meu dever de cidadão. Ao longo desse tempo eu escrevi centenas de Cartas (aerogramas) dos quais eu não guardei um só!... não que eu não os quisésse juntar todos às minhas memórias mas sim pela tempestade que se abateu sobre a minha vida e a de muitos milhôes de Portugueses com o advento da "garraiada" - uma autêntica largada de toiros vermelhos em plenas ruas da Capital do Reyno, com uma ideologia fantasiosa que fez desaparecer tudo isso na poeira do tempo e do abandono forçado de tudo quanto lá ficou. Gentes e coisas... Amigos muitos que conheci e já se foram...  e inimigos se é que eu os tinha, nunca o soube ao certo!.
​Já no final da minha missão a palavra que mais se dizia e com a qual todos sonhávamos era "DISPONIBILIDADE" ou seja; entregava-se a farda mas ficava-se em situação de "DISPONIBILIDADE" caso a Pátria precisasse de nos convocar novamente.
A Minha Caderneta Militar reza que; após cumprido o tempo de serviço Militar Obrigatório, o Estado fornecia transporte de graça para qualquer parte do Território Nacional mediante requerimento do interessado.
Com base neste disposto eu entrei no Quartel em Angola - Nova Lisboa (hoje cidade do Huambo) e entreguei a Farda em Lisboa no Terreiro do Paço!!!... iii já lá vão tantos anos.
Para não me esquecer, eu escrevi um poema que faz parte do meu Livro de POEMAS DE ANGOLA - "Eu, o Pensamento, a Rima!..."  porém ele foi rejeitado pelo Jornal do Exército naquela época... e NUNCA mais o publiquei. 
Hoje olho e vejo o que vai por esse Portugal profundo e tristemente constato que nada mudou!...
Afinal Camões tinha Razão!... nós poetas morremos com o sonho de cada novo dia! ... e por isso aqui estou em DISPONIBILIDADE até quando Deus quisér: 


D.I.S.P.O.N.I.B.I.L.I.D.A.D.E. 
<<...Poema do Fim!... >> (022)
Dissabores,
Infelicidades,
Sofrimentos,
Privações,
Ordens dadas...(?)
Novidades,
Inimigos aos Milhões! ...
Batalhas,
Infiltrações,
Lutas breves,
Invalidez,
Dores de Amor!...
Amargura,
Despedida é calor,
Em minha vida futura!!!...
(in: "Eu, O Pensamento, a Rima!..." Pagina 98)  



Placa Comemorativa em Homenagem aos Soldados Portugueses ao Serviço de Portugal - A Relação encontra-se gravada no "Muro" que serve de fundo ao Monumento erguido em Belém.
Honremos os mortos porque os vivos o não merecem. Que Deus os tenha na SUA SANTA PAZ ETERNA! 


Catramonzeladas Literárias

Assim se fala, assim eu escrevo

Em homenagem póstuma à Saudosa Amiga Maria Fernanda Pinto eu vos trago aqui um texto em resposta a uma das últimas Cartas que ela me e...